O primeiro dia do fórum ficou marcado pelos discursos de Putin e Wen Jiabao, primeiros ministros de Rússia e China, respectivamente, duas das maiores economias do planeta, sobre a intervenção do Estado e a ameaça de medidas proteccionistas.
A dissertação de ambos incidiu sobre a responsabilização da actual crise à actividade financeira ocidental (i.e. americana) e a intensificação da cooperação internacional.
Vejamos, para a China este é o discurso mais lógico, pois esta é uma economia muito dependente das exportações e de empréstimos e investimento directo estrangeiro. Com a recessão mundial, estas variáveis diminuem contribuindo para a diminuição do seu crescimento económico e para o aumento desemprego. Para se ter uma ideia, nos países em desenvolvimento, o IDE já caiu 80%. Esta é outra das consequências da crise, numa visão mais mediata e lata: o agravamento das disparidades de desenvolvimentos entre as economias mundiais.
Os países em vias de desenvolvimento são muito dependentes da ajuda, investimento externo e exportações. Com os principais parceiros em sérias dificuldades, estes ficam para planos secundários. Nesta alturas, os PD olham para a sua situação, para dentro, e as suas empresas a investem onde o risco é menor e/ou onde são mais subsidiadas.
Por outro lado, os países do Norte tenderão a adoptar políticas proteccionistas em termos comerciais, i.e., de restrição às importações e incentivo às exportações. Esta foi uma das questões levantadas ontem e pode consistir em barreiras alfandegárias (tarifas mais elevadas, quotas de importação, restrições qualitativas ou subsídios à exportação). Esta forma vai contra um dos principiais discursos dos países do Norte, porque não passa disso, relacionado com o comércio livre, e os interesses dos PVD porque para além de não exportarem correm o risco de também não produzirem pelo facto de chegarem ao seu circuito económico produtos importados mais baratos e subsidiados. Em suma, este receio é bem real e será (mais) um grande entrave ao crescimento económico e desenvolvimento dos países mais pobres.
Desta forma, compreende-se o motivo pelo qual os políticos chineses apelam à entre ajuda mundial, até porque os males de uns acabam por se transferir para os outros.
Pela Rússia a questão levantada foi outra: os limites para a intervenção do Estado. O Estado tem assumido um papel essencial na atenuação das consequências da crise liberal, seja pela nacionalização de bancos (onde estão as poupanças dos indivíduos e que são os maiores e principais financiadores de actividade económica mundial), pelo apoio aos desempregados, pela subsidiariedade/atenuação dos impostos às empresas mais empregadoras, ou pela promoção do investimento gerador de emprego e rendimento. A questão levantada por Putin foi até onde pode e deve ir a intervenção e deu o exemplo da ex-URSS que fez do poder estatal absoluto cujo colapso se deu em 1989 com a queda do Muro de Berlim. Ainda hoje se assiste à transição de uma sociedade socialista para uma liberal, com custos sócio-económicos elevados, quer pela via da competitividade, quer pelo desemprego, pobreza e exclusão, não obstante os muitos recursos naturais existentes na Rússia. Ora os receios de Putin é que haja um retrocesso neste duro processo, principalmente pelos custos de transição. Surge então a questão sobre qual o papel do Estado na economia, defende então uma posição activa no que diz respeito à transparência e regulação do sistema financeiro e do mercado em geral sem, contudo, participar directamente na economia, como foi regra durante o Comunismo soviético.
A dissertação de ambos incidiu sobre a responsabilização da actual crise à actividade financeira ocidental (i.e. americana) e a intensificação da cooperação internacional.
Vejamos, para a China este é o discurso mais lógico, pois esta é uma economia muito dependente das exportações e de empréstimos e investimento directo estrangeiro. Com a recessão mundial, estas variáveis diminuem contribuindo para a diminuição do seu crescimento económico e para o aumento desemprego. Para se ter uma ideia, nos países em desenvolvimento, o IDE já caiu 80%. Esta é outra das consequências da crise, numa visão mais mediata e lata: o agravamento das disparidades de desenvolvimentos entre as economias mundiais.
Os países em vias de desenvolvimento são muito dependentes da ajuda, investimento externo e exportações. Com os principais parceiros em sérias dificuldades, estes ficam para planos secundários. Nesta alturas, os PD olham para a sua situação, para dentro, e as suas empresas a investem onde o risco é menor e/ou onde são mais subsidiadas.
Por outro lado, os países do Norte tenderão a adoptar políticas proteccionistas em termos comerciais, i.e., de restrição às importações e incentivo às exportações. Esta foi uma das questões levantadas ontem e pode consistir em barreiras alfandegárias (tarifas mais elevadas, quotas de importação, restrições qualitativas ou subsídios à exportação). Esta forma vai contra um dos principiais discursos dos países do Norte, porque não passa disso, relacionado com o comércio livre, e os interesses dos PVD porque para além de não exportarem correm o risco de também não produzirem pelo facto de chegarem ao seu circuito económico produtos importados mais baratos e subsidiados. Em suma, este receio é bem real e será (mais) um grande entrave ao crescimento económico e desenvolvimento dos países mais pobres.
Desta forma, compreende-se o motivo pelo qual os políticos chineses apelam à entre ajuda mundial, até porque os males de uns acabam por se transferir para os outros.
Pela Rússia a questão levantada foi outra: os limites para a intervenção do Estado. O Estado tem assumido um papel essencial na atenuação das consequências da crise liberal, seja pela nacionalização de bancos (onde estão as poupanças dos indivíduos e que são os maiores e principais financiadores de actividade económica mundial), pelo apoio aos desempregados, pela subsidiariedade/atenuação dos impostos às empresas mais empregadoras, ou pela promoção do investimento gerador de emprego e rendimento. A questão levantada por Putin foi até onde pode e deve ir a intervenção e deu o exemplo da ex-URSS que fez do poder estatal absoluto cujo colapso se deu em 1989 com a queda do Muro de Berlim. Ainda hoje se assiste à transição de uma sociedade socialista para uma liberal, com custos sócio-económicos elevados, quer pela via da competitividade, quer pelo desemprego, pobreza e exclusão, não obstante os muitos recursos naturais existentes na Rússia. Ora os receios de Putin é que haja um retrocesso neste duro processo, principalmente pelos custos de transição. Surge então a questão sobre qual o papel do Estado na economia, defende então uma posição activa no que diz respeito à transparência e regulação do sistema financeiro e do mercado em geral sem, contudo, participar directamente na economia, como foi regra durante o Comunismo soviético.

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