A libra estrelina tem vindo nos últimos dias a depreciar consideravelmente face ao euro. Por outras palavras, com uma libra compro menos euros (ou, um euro vale mais libras), portanto a moeda inglesa está mais barata face à europeia.
As causas da desvalorização são essencialmente duas: as perspectivas de contracção do produto e desemprego e a diminuição das taxas de juro na Inglaterra.
Quanto à primeira, as mais recentes projecções apontam para uma diminuição da actividade económica, derivada da crise mundial, com consequências como o desemprego, menos consumo e investimento, etc.
Assim e, com base nessas previsões, o Banco de Inglaterra baixou as taxas de juro.
Porém, esta descida foi superior à registada na zona euro e aqui reside a chave do problema. A aplicação de fundos é mais rentável fora do país, o que leva à sua saída. No mercado cambial, regista-se um aumento da oferta e/ou diminuição da procura de libras. Consequência: abaixamento do preço, i.e., depreciação da moeda face às restantes, em particular à que nos interessa, ao euro.
Ora, para Portugal, os produtos que exportará para solo inglês tornar-se-ão relativamente mais caros, logo menos competitivos. Consequentemente, a Inglaterra diminuirá as suas importações e Portugal as suas exportações, com claras consequências para a actividade produtiva e emprego, já que é 4º maior destino.
As consequências mais graves para a economia portuguesa não residem aí, mas sim no turismo, porque esta é uma das maiores actividades económicas em Portugal. Os ingleses que, com as mesmas libras comprarão menos, irão optar por destinos mais baratos, preterindo os portugueses, em particular o Algarve, uma região muito dependente dos meses de Verão. Para se ter uma noção da sua importância, as suas receitas representam quase 23% do total do turismo português. A quantidade procurada de camas, comida, etc irá diminuir e havendo menos gente a comprar, há menos emprego e lucro.
Sendo assim, as perspectivas para o turismo algarvio não são animadoras, mas há que dar largas à imaginação e conquistar novo públicos.

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