De momento encontro-me a ler o livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu. Antes de começar a ler o livro, ouvi pela boca de alguém, que já toda a gente tinha lido esta grande obra de Sun Tzu escrita no século V a.C., e que ainda hoje é a maior referência ao nível da ciência militar. Isto foi-me levando a reflectir sobre quais os reais hábitos de leitura em Portugal.
Com este texto procuro reflectir sobre quais são os reais hábitos de leitura dos portugueses. Para ser mais preciso: o que é que os portugueses lêem hoje?
Ao nível Europeu, os portugueses são um povo que lê muito pouco comparado a outros povos europeus. É um facto que somos um povo que lê pouco. Há portugueses que durante um ano (ou até anos), não lêem um único livro. Segundo um estudo, os portugueses que ainda vão pegando nuns livritos, lêem em média cerca de 12 livros por ano (uma média muito inferior á europeia). “A Arte da Guerra” de Sun Tzu, é um livro que é possível encontrar em muitas livrarias, e inúmeras editoras já lançaram o livro. Mas quanto a ser um livro de consumo massivo em Portugal, não me parece. Basta darmos uma olhadela pelo Top livros mais vendidos de uma Bertrand ou Fnac, e logo temos parte da resposta quanto ao que os portugueses maioritariamente lêem hoje. Top livros: 1- A Viagem do Elefante (José Saramago); 2- A Vida num Sopro (José Rodrigues dos Santos); 3- A Razão dos Avós (Daniel Sampaio); 4- Um Homem com Sorte (Nicholas Sparks); 5- Onde Reside o amor (Margarida Rebelo Pinto) (…)
Ler é um grande exercício para o cérebro. Os pensadores e escritores ao longo dos tempos têm-nos demonstrado a importância do hábito da leitura:
“Quem não lê, não quer saber; quem não quer saber, quer errar” Padre António Vieira
“Quem lê muito e anda muito, vai longe e sabe muito” Miguel de Cervantes
“Gostar de ler é trocar horas de tédio por outras deliciosas” Montesquieu
“Escrevendo ou lendo nos unimos para além do tempo e do espaço, e os limitados braços se põem a abraçar o mundo; a riqueza de outros nos enriquece a nós. Leia” Agostinho da Silva
Hoje em dia continuamos a ter grandes escritores, mesmo produzindo livros para consumo de massas. Basta lermos as obras de um José Saramago, António Lobo Antunes, Gabriel Garcia Marquez, entre outros.
Porém julgo existir um défice de conhecimento do ponto de vista literário ao nível dos clássicos. Muita gente nunca ouviu falar em Dostoiévski, Flaubert ou Émile Zola. Há muitos que lêem hoje em dia o Tolkien, por causa da trilogia “O Senhor dos Anéis” transformada em filme. Temos o cinema a influenciar os gostos literários…
Há muitos que ao nível dos clássicos afirmam ter lido todos os livros do Eça de Queirós. E será que já puseram a vista em cima dos livros de Alexandre Herculano, Guerra Junqueiro ou Padre António Vieira (considerado o maior escritor português de todos os tempos), entre outros escritores esquecidos?
De qualquer forma, vale sempre a pena ler alguma coisa do que não ler nada. Crime do ponto de vista literário, é gastar balúrdios de dinheiro em grandes obras só para embelezar a estante, sem nunca ter posto a vista em cima dos livros. A conclusão que no fundo tiro, é que devemos fazer por ler cada vez mais, porque a leitura é a maior arma contra a ignorância. Façamos por ler livros sejam eles emprestados, requisitados na biblioteca pública ou comprados em alfarrábios. É viajando através dos tempos ao longo da cultura da humanidade, que vemos como é grande a nossa ignorância. Como escreveu Umberto Eco: "A leitura é uma necessidade biológica da espécie. Nenhum ecrã e nenhuma tecnologia conseguirão suprimir a necessidade de leitura tradicional."
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Hábitos de Leitura em Portugal
Publicada por contracorrente à(s) 23:30 0 comentários
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Encontro Liberal-Social
Visitem o seguinte endereço:
http://www.meetup.com/liberalismo-porto/polls/163482/
Publicada por Carlos Vinagre à(s) 14:49 0 comentários
domingo, 28 de dezembro de 2008
A economia de Obama
O novo ano vai ter uma entrada de registo no que toca à politica norte-americana. No próximo dia 20 de Janeiro Barack Obama vai ser eleito como o 44º presidente da história dos EUA.
Que consequências terá a entrada de Obama no panorama político não só americano mas também mundial? Antes de mais é importante referir que o presidente recém-eleito terá um fardo pesadíssimo visto que os EUA e de certa forma o resto do mundo deposita uma confiança enormíssima no democrata. Contudo devemos facilmente compreender que será impossível corresponder na plenitude às expectativas que todos depositam nele. Obama tem várias frentes importantes que exigem um trabalho eficaz do presidente eleito: antes de mais terá que fazer frente aquela que é considerada por alguns críticos como a maior crise económica de sempre do país desde 1929. A crise chegou a um patamar tal que sectores como o imobiliário têm uma dívida de cerca de 200 bilhões de dólares. Actualmente estã a ser leiloados cerca de 770 mil imóveis. Os Moradores são despejados das suas casas porque não conseguem cobrir as dívidas. Este abalo na economia tem vindo a gerar uma desconfiança no sector financeiro que está a ser sentida na econimia real. A juntar à crise económica, Obama enfrenta uma crise de desemprego assustadora: mais de 10 milhões de americanos estão sem emprego. É necessária pois uma resposta eficaz do futuro presidente no que diz respeito à economia e à criação de políticas que premitam estimular o mercado de trabalho. Os EUA têm actualmente um déficit de cerda de 140 milhões de dólares e uma dívida pública que ascende aos 11 triliões de dólares. Estes números assustadores fazem com que facilmente cheguemos à conclusão que Obama tem aquele que talvez seja o mandato mais árduo da história dos EUA.
Do ponto de vista económico, Obama enfrenta uma crise interna que alastrou os seus tentáculos ao resto do mundo. A ideia de um "American Dream" vendida pelo candidato democrata na sua campanha será quase impossível de concretizar visto que a situação dos americanos neste momento será mais semelhante a um "American discouragement".
Publicada por Rocha, André à(s) 22:41 0 comentários
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
A crise e as respostas
Como primeira reflexão nestes espaço, decidi escolher um tema que me parece tão pouco discutido - a resposta à crise.
Parece-me, erróneamente, afastada a discussão entre qual a melhor resposta à crise. Especialmente depois da II Guerra Mundial, a questão pôs-se na dicotomia política financeira vs política monetária.
Hoje o espaço da união europeia chegou longe na integração monetária, mas ficou muito aquém na integração das políticas "fiscais". Porem, a política monetária, o mercado livre e não intervenção do Estado começam a mostrar o seu lado negro. E, segundo me parece, responde-se ao problema com o problema. Ou seja, responde à crise monetária com política monetária.
É certo que este não é mais o tempo dos Estados Nação keinesianistas, pois os pressupostos do Estado nação já não existem nos Estados integradores da União Europeia.
Porém, se ao nível de cada Estado já não é possível implementar políticas prórpias do Estado nação, pergunto eu se não é altura para dar um passo em frente na integração europeis e conceder essas políticas à união.
É certo que a opção entre políticas monetárias e políticas financeiras está subordinada a ideologias e não vou aqui expôr essas ideologias. Porém, pergunto eu, a quem serve a política e a economia? Servem elas ao Homem ou o Homem a elas?
Não compreendo como se ajudam empresas individadas com mais crédito. O dinheiros que entretanto foi posto ao serviço dos bancos não chega à economia real. Muito dele fica nos pequenos casinos das bolsas de valores.
O sector secundário foi menosprezado e a classe média destruída no seu consumo. É pois preciso repensar as políticas e entre monetário e fiscal optar por algo híbrido. Se é certo que dando dinheiro às famílias, através de pensões e outras políticas do género, há um aumento da inflação ao que os monetaristas oferecem solução com o rigor da escassez, também é certo que um fundamentalismo monetarista asfixia a actividade financeira porque nenhum homo oeconomicus digno desse título contrairá crédito para pagar crédito em épocas de dominó de falências...
Fica aqui uma pequena reflexão sobre os horizontes das soluções. Espero é que a luta ideológica sobre as políticas não mude.
Vítor Martins
Publicada por Vitor Martins à(s) 17:41 4 comentários
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Mercado dos 'certificados verdes'
Publicada por LPereira à(s) 20:40 1 comentários
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Publicada por Espartano à(s) 19:11 2 comentários
sábado, 13 de dezembro de 2008
Qual a moral dos comunistas do nosso tempo?
Um dos poucos regimes verdadeiramente comunistas do nosso tempo que não é condenado pelo nosso Partido Comunista Português. Cada vez mais sinto que não há Comunistas mas sim Comodistas!
Publicada por Rocha, André à(s) 12:47 2 comentários
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Humano Direito: Uma Motivação Bélica
"The campaign reminds us that in a world still reeling from the horrors of the Second World War, the Declaration was the first global statement of what we now take for granted -- the inherent dignity and equality of all human beings."
Secretary-General Ban Ki-moon
Faz hoje 60 anos a Declaração Universal dos Direitos do Homem:
Universal Declaration of Human Rights
Preamble
Whereas recognition of the inherent dignity and of the equal and inalienable rights of all members of the human family is the foundation of freedom, justice and peace in the world,
Whereas disregard and contempt for human rights have resulted in barbarous acts which have outraged the conscience of mankind, and the advent of a world in which human beings shall enjoy freedom of speech and belief and freedom from fear and want has been proclaimed as the highest aspiration of the common people,
Whereas it is essential, if man is not to be compelled to have recourse, as a last resort, to rebellion against tyranny and oppression, that human rights should be protected by the rule of law,
Whereas it is essential to promote the development of friendly relations between nations,
Whereas the peoples of the United Nations have in the Charter reaffirmed their faith in fundamental human rights, in the dignity and worth of the human person and in the equal rights of men and women and have determined to promote social progress and better standards of life in larger freedom,
Whereas Member States have pledged themselves to achieve, in cooperation with the United Nations, the promotion of universal respect for and observance of human rights and fundamental freedoms,
Whereas a common understanding of these rights and freedoms is of the greatest importance for the full realization of this pledge,
Now, therefore,
The General Assembly,
Proclaims this Universal Declaration of Human Rights as a common standard of achievement for all peoples and all nations, to the end that every individual and every organ of society, keeping this Declaration constantly in mind, shall strive by
teaching and education to promote respect for these rights and freedoms and by progressive measures, national and international, to secure their universal and effective recognition and observance, both among the peoples of Member States themselves and among the peoples of territories under their jurisdiction.
Article I
All human beings are born free and equal in dignity and rights. They are endowed with reason and conscience and should act towards one another in a spirit of brotherhood.
Article 2
Everyone is entitled to all the rights and freedoms set forth in this Declaration, without distinction of any kind, such as race, colour, sex, language, religion, political or other opinion, national or social origin, property, birth or other status.
Furthermore, no distinction shall be made on the basis of the political, jurisdictional or international status of the country or territory to which a person belongs, whether it be independent, trust, non-self-governing or under any other limitation of sovereignty.
Article 3
Everyone has the right to life, liberty and security of person.
Article 4
No one shall be held in slavery or servitude; slavery and the slave trade shall be prohibited in all their forms.
Article 5
No one shall be subjected to torture or to cruel, inhuman or degrading treatment or punishment.
Article 6
Everyone has the right to recognition everywhere as a person before the law.
Article 7
All are equal before the law and are entitled without any discrimination to equal protection of the law. All are entitled to equal protection against any discrimination in violation of this Declaration and against any incitement to such discrimination.
Article 8
Everyone has the right to an effective remedy by the competent national tribunals for acts violating the fundamental rights granted him by the constitution or by law.
Article 9
No one shall be subjected to arbitrary arrest, detention or exile.
Article 10
Everyone is entitled in full equality to a fair and public hearing by an independent and impartial tribunal, in the determination of his rights and obligations and of any criminal charge against him.
Article 11
1. Everyone charged with a penal offence has the right to be presumed innocent until proved guilty according to law in a public trial at which he has had all the guarantees necessary for his defence.
2. No one shall be held guilty of any penal offence on account of any act or omission which did not constitute a penal offence, under national or international law, at the time when it was committed. Nor shall a heavier
penalty be imposed than the one that was applicable at the time the penal offence was committed.
Article 12
No one shall be subjected to arbitrary interference with his privacy, family, home or correspondence, nor to attacks upon his honour and reputation. Everyone has the right to the protection of the law against such interference or attacks.
Article 13
1. Everyone has the right to freedom of movement and residence within the borders of each State.
2. Everyone has the right to leave any country, including his own, and to return to his country.
Article 14
1. Everyone has the right to seek and to enjoy in other countries asylum from persecution.
2. This right may not be invoked in the case of prosecutions genuinely arising from non-political crimes or from acts contrary to the purposes and principles of the United Nations.
Article 15
1. Everyone has the right to a nationality.
2. No one shall be arbitrarily deprived of his nationality nor denied the right to change his nationality.
Article 16
1. Men and women of full age, without any limitation due to race, nationality or religion, have the right to marry and to found a family. They are entitled to equal rights as to marriage, during marriage and at its dissolution.
2. Marriage shall be entered into only with the free and full consent of the intending spouses.
3. The family is the natural and fundamental group unit of society and is entitled to protection by society and the State.
Article 17
1. Everyone has the right to own property alone as well as in association with others.
2. No one shall be arbitrarily deprived of his property.
Article 18
Everyone has the right to freedom of thought, conscience and religion; this right includes freedom to change his religion or belief, and freedom, either alone or in community with others and in public or private, to manifest his religion or belief in teaching, practice, worship and observance.
Article 19
Everyone has the right to freedom of opinion and expression; this right includes freedom to hold opinions without interference and to seek, receive and impart information and ideas through any media and regardless of frontiers.
Article 20
1. Everyone has the right to freedom of peaceful assembly and association.
2. No one may be compelled to belong to an association.
Article 21
1. Everyone has the right to take part in the government of his country, directly or through freely chosen representatives.
2. Everyone has the right to equal access to public service in his country.
3. The will of the people shall be the basis of the authority of government; this will shall be expressed in periodic and genuine elections which shall be by universal and equal suffrage and shall be held by secret vote or by equivalent free voting procedures.
Article 22
Everyone, as a member of society, has the right to social security and is entitled to realization, through national effort and international co-operation and in accordance with the organization and resources of each State, of the economic, social and cultural rights indispensable for his dignity and the free development of his personality.
Article 23
1. Everyone has the right to work, to free choice of employment, to just and favourable conditions of work and to protection against unemployment.
2. Everyone, without any discrimination, has the right to equal pay for equal work.
3. Everyone who works has the right to just and favourable remuneration ensuring for himself and his family an existence worthy of human dignity, and supplemented, if necessary, by other means of social protection.
4. Everyone has the right to form and to join trade unions for the protection of his interests.
Article 24
Everyone has the right to rest and leisure, including reasonable limitation of working hours and periodic holidays with pay.
Article 25
1. Everyone has the right to a standard of living adequate for the health and well-being of himself and of his family, including food, clothing, housing and medical care and necessary social services, and the right to security in the event of unemployment, sickness, disability, widowhood, old age or other lack of livelihood in circumstances beyond his control.
2. Motherhood and childhood are entitled to special care and assistance. All children, whether born in or out of wedlock, shall enjoy the same social protection.
Article 26
1. Everyone has the right to education. Education shall be free, at least in the elementary and fundamental stages. Elementary education shall be compulsory. Technical and professional education shall be made generally available and higher education shall be equally accessible to all on the basis of merit.
2. Education shall be directed to the full development of the human personality and to the strengthening of respect for human rights and fundamental freedoms. It shall promote understanding, tolerance and friendship among all nations, racial or religious groups, and shall further the activities of the United Nations for the maintenance of peace.
3. Parents have a prior right to choose the kind of education that shall be given to their children.
Article 27
1. Everyone has the right freely to participate in the cultural life of the community, to enjoy the arts and to share in scientific advancement and its benefits.
2. Everyone has the right to the protection of the moral and material interests resulting from any scientific, literary or artistic production of which he is the author.
Article 28
Everyone is entitled to a social and international order in which the rights and freedoms set forth in this Declaration can be fully realized.
Article 29
1. Everyone has duties to the community in which alone the free and full development of his personality is possible.
2. In the exercise of his rights and freedoms, everyone shall be subject only to such limitations as are determined by law solely for the purpose of securing due recognition and respect for the rights and freedoms of others and of meeting the just requirements of morality, public order and the general welfare in a democratic society.
3. These rights and freedoms may in no case be exercised contrary to the purposes and principles of the United Nations.
Article 30
Nothing in this Declaration may be interpreted as implying for any State, group or person any right to engage in any activity or to perform any act aimed at the destruction of any of the rights and freedoms set forth herein.
Publicada por Carlos Vinagre à(s) 22:31 0 comentários
Ainda acreditam que os deputados trabalham?
Vende-se a ideia de que a classe política portuguesa (nomeadamente a os deputados) são seres com uma agenda preenchidíssima, sem tempo para nada. Vende-se igualmente a ideia que neste país se trabalha pouco. Para muitos a sexta feira à tarde já faz parte do fim-de-semana. Vende-se igualmente a ideia que geralmente os partidos da oposição são aqueles (que para mostrarem o exemplo) em que raramente faltam deputados para as votações.
Admito que tinha até bem pouco tempo uma afinidade política pelo maior partido da oposição (PSD) mas a eleição de Manuela Ferreira Leite conseguiu fazer com que perde-se toda e qualquer identidade com o referido partido. Pior foi o facto de ter constatado que muitos dos deputados do tal partido pensarem que faltar a uma votação na AR é o mesmo que faltar a uma aula teórica numa universidade. A votação não era importante, era IMPORTANTÍSSIMA! votava-se pela aprovação da suspensão da avaliação dos professores.
Não faltaram 2 deputados do PSD, também não faltaram 3, nem 4 nem 5! faltaram 30 deputados! com isto pergunto-me...que oposição temos nesta república das bananas? Onde anda a responsabilidade de senhores que foram eleitos para representarem o povo? É triste verificar que continuamos a viver num país no qual a classe política (seja ela de que partido for) vive completamente à margem da palavra responsabilidade.
Qual será agora a moral dos deputados do PSD para criticarem a postura do governo? Nenhuma certamente!
O pior de toda esta "palhaçada" foi o facto de 10 dos 30 senhores deputados que faltarem terem tido a distinta lata de terem picado o ponto não se encontrando dentro das instalações da AR! Será que algum levou o espírito para o hemiciclo?
Sinceramente julgo que ao ponto a que isto chegou não há cidadão consciente que se reveja na política portuguesa. Ai se a vergonha fosse algo que todos possuíssem...
Publicada por Rocha, André à(s) 12:57 0 comentários
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Desemprego e motivação
O tema sobre o qual resolvi escrever é velho, mas estes dias vi-o de uma perspectiva diferente e gostaria que também reflectissem: a remuneração como motivação no mercado de trabalho
Comecemos com um enquadramento teórico.
Em equilíbrio no mercado de trabalho, i.e., quando a quantidade oferecida é igual à quantidade procurada de trabalho e o salário pago pela empresa é igual ao óptimo (de mercado,) se o nível de esforço do trabalhador é inferior ao desejado/óptimo, dá lugar ao despedimento, que não constitui uma penalização porque vai encontrar emprego no mercado, visto que está em equilíbrio.
Porém no caso do salário oferecido pela empresa ao trabalhador for superior ao de mercado e o nível de esforço do trabalhador for inferior ao desejado pela empresa, a consequência será naturalmente o seu despedimento. O trabalhador encontrará outro emprego no mercado, mas a um salário inferior ao que recebia. Portanto haverá penalização em termos de rendimento e de bem-estar.
Porém, neste caso diluir-se-á a situação de equilíbrio e a consequência macroeconómica será a existência de desemprego, que garante que o esforço é a melhor estratégia para o trabalhador, indo de encontro ao objectivo do empregador: aumento do produto e da produtividade. Por outro lado, este diferencial funcionará como um factor de motivação ao maior empenho.
Tudo isto é teoria económica, inspirada na tese de J. Stiglitz, que lhe valeu um prémio Nobel.
Trouxe-a aqui para reflectir um pouco sobre se o desemprego é vantajoso para alguém.
De acordo com esta teoria os empregadores, que pagam uma remuneração maior à de mercado, exigem níveis de esforço maiores. Desta forma, é indissociável o aumento da produção por trabalhador (eficiência) e da empresa, contribuindo, por um lado, para o aumento das vendas e consequente lucro dos capitalistas e, por outro, para o PIB da economia, numa visão mais macro.
No entanto, surgem as questões:
- Será que numa situação de desemprego na economia, justificam-se os incentivos remuneratórios para um maior esforço dos trabalhadores?
- Será que numa situação de equilíbrio, a existência de diferenciais salariais levam efectivamente a um aumento da eficiência?
As respostas são, como sempre, depende, i.e., são muito relativas.
Dependem do montante do diferencial entre esta e a melhor alternativa, dependem do nível de esforço que estiver em causa, dependem das preferências dos trabalhadores, dependem de até onde os trabalhadores estiveram dispostos a chegar, etc.
Enfim, tudo isto para mostrar que nem sempre, para os empregadores, o desemprego poderá constituir uma desvantagem, antes uma fonte de motivação. A realidade económico-social é bastante complexa e este é apenas uma das perspectivas de analisar a questão.
Publicada por LPereira à(s) 20:54 0 comentários
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Como Reformar a Educação
Round I
Muito se tem dito sobre as alterações em curso no sistema educativo. Pena é que o essencial não tenha sido abertamente discutido tanto nos noticiários, programas televisivos, jornais e instituições governativas. O país assombra-se em pequenas disputas, ódios e sentimentos revanchistas. A ministra alega que os sindicatos deturparam o sentido das conversações, de acordos firmados, os sindicatos contra-argumentam. Com tanta confusão, tanta marcha, tanta discórdia e debate, o que podemos dizer para contribuir para a reforma do país??? O que ninguém tem dito explicitamente, mas que no âmago, interiormente, deve sentir: Diálogo Sincero e construtivo.
É claro que os professores necessitam de avaliação. Nisso não residirá dúvida. Sabe-se que o Governo necessita de avaliação, o povo em momento oportuno exteriorizará o seu julgamento. Enquanto nos embrenhamos nestas questões, tudo se atola num antro de esquizofrenia mental, nada avança, o que deveria ser uma nova disciplina reformista e vanguardista passou para as fileiras do retardamento institucional e, em suma, uma sensação de desordenamento avança sobre o observador distante.
O que deveria ter sido feito??? A Sra. Ministra da Educação, como representante hierárquica de um serviço e pilar de uma sociedade democrática, tomaria o discernimento de elaborar uma equipa de estudiosos, conhecedores das disparidades do país, das suas especificidades, pedagogos, ou seja, um conjunto de especialistas e encetaria diálogo com as forças operantes no ensino, professores, pais, alunos, em busca de um consenso que fosse adequado a uma razoável aspiração de ambas as partes e em concórdia, iniciaria uma reorganização, uma reelaboração e reforma do ensino, tendo em conta um conceito ideal de cidadão na sociedade democrática, não desdenhando as necessidades do mercado laboral, não menosprezando as exigências orçamentais e os problemas que a globalização coloca a um minúsculo país: claro que o procedimento dialógico era fundamental, pena que actualmente muitos governantes o esqueçam.
Professores: há muita incompetência, muito desleixismo, é verdade. Mas não podemos tomar a parte pelo todo, é um erro lógico, gera conflito social, não leva à satisfação, condição estruturante do efeito laboral que é a qualidade do trabalho. Como somos um país de precariedade, normal que o Governo manifeste os vícios de que o povo padece relativamente. Não gozando na prática de saber socialmente reconhecido, como poderão aspirar à condução dos negócios do país??? Maus alunos é o que são, se estudassem um pouco de Antiguidade Clássica, decerto que não cometeriam determinados erros indesculpáveis quando se dirige uma sociedade- eu sei que tudo isto é um pouco abstracto, é-me possível apontar medidas concretas, sem se recorrer ao elemento coactivo que em vez de consolidar os agrupamentos, cria uma coesão, levando posteriormente ao dispersismo, à desorganização, não é que tenha acontecido empiricamente, mas se abstrairmos poderemos confirmar isto praticamente, tendo em conta a verdadeira natureza da coisa de que se fala.
Round II
Reformar o país da seguinte maneira: eleger a educação como a via privilegiada, investir financeiramente no reequipamento das escolas; apostar na sensibilização da sociedade com uma campanha pública, transparente e integradora; reordenar a rede de escolas públicas; apostar na estabilidade docente; acções subsidiárias de formação para os pais; aproximação da escolas às necessidades reais da sociedade no século XXI; avaliação docente, com critérios objectivos mas conpreensivos para o desempenho, ou seja, preenchimento por um técnico competente do desempenho do professor, tendo em conta os resultados dos alunos, a opinião subjectiva destes últimos e o grau de satisfação, audição do professor e das suas dificuldades morais, pessoais e materiais e por fim com um escala alargada dar-lhe uma avaliação quantitativa que poderia ser invertida desde que devidamente justificada, para evitar vinganças pessoais ou jogos de poder-não é essa uma das prioridades do Direito numa sociedade contemporânea???- ( não se esquecer a morosidade e as dificuldade que estes critérios poderiam fazer surgir, atrasos, de escoamento. Convinha que se definisse uma coação para quem utilizasse indevidamente o direito concedido a um docente, para evitar a ineficiência do processo.) ; acompanhamento minucioso por parte de técnicos, ao serviço do Ministério da Educação, do cumprimento da reforma, no sentido de fornecer apoio e auxílio aos estabelecimentos de ensino para cumprirem as medidas reestruturantes da educação. As câmaras municipais obviamente deteriam uma obrigação moral, indicativa, de acompanhar e disponibilizar as necessárias ajudas às instituições pedagógicas; criação de um pacto entre as principais forças político-partidárias para darem à tessitura reorganizadora um elemento de estabilidade; introdução de critérios avaliativos mais soltos das necessidades objectivas: criatividade; participação; trabalho extra-curricular por livre iniciativa; apoio didáctico para os alunos menos capacitados, sócio-economicamente, no sentido de atenuar as desigualdades; elaboração de um plano de actividades extra-curriculares: desportos, cultura, leitura, oficina de expressão dramática; redução do número de disciplinas até o actual nono ano, para evitar sobrecarga e a noção de obrigatoriedade que aflige muitos dos alunos portugueses; aposta na sensibilização para o valor e relevo da educação nos primeiros anos de ensino, até pelo menos o actual sexto ano; busca por parte da escola da elaboração de um laço próximo entre aluno, pai, professor, criando uma estrutura relacional que poderá ser vantajosa para o evitamento de posteriores conflitos; aposta em aulas participadas, com actividades diferentes, não tão agarradas ao programa a apreender pelo aluno; programas a leccionar que sejam realizáveis, que se adequem às necessidades da sociedade, que sejam compatíveis com o tempo disposto no ano lectivo para aulas; criação de uma plataforma inter-alunos, mais capacitados e menos capacitados, para se realizar experiências organizativas, de subsídio, donde se depreendia propostas para solucionar as questões que sempre existirão nas escolas, as naturais diferenças intelectuais e de personalidade do ser humano.
Round III
O anterior parágrafo indica sumariamente algumas medidas que poderiam ser tomadas em conta para a escola contemporânea. Por mais abstractas que sejam, um entendido na matéria rapidamente verá que não há grande inovação, que são ideias estimulantes, possíveis de se realizar desde que a escola se defina para o "político": como um espaço sério de integração, de criação de condutas socialmente relevantes, de dignificação do ser humano, de potencialização das capacidades singulares e individuais, tudo ajustado à idade de cada um, ao caminho que se prevê ser necessário para um pré-adulto experienciar e amadurecer, e conseguir seleccionar o caminho que mais convier às suas expectativas criadas. Infelizmente, nos dias que correm, ainda há dúvidas sobre o modelo organizativo a seguir. Como aluno que deixou o secundário há pouco tempo, sei bem o que os meus concidadãos aspiravam, das suas frustrações e angústias, basta de incompreensão política, basta de desrespeito pela profissão docente!!!
Como muitos sabem, um princípio pilar da União Europeia e das sociedade pluralistas e democráticas é o da integração. Esta conceito já nos orienta bastante, já nos diz de como nos devemos inspirar para criar um espaço educacional, verdadeiramente e não só na teoria como acontece, é constitucionalmente exigível, é comunitariamente indispensável, sobretudo, vivendo nós num tempo de angustiante fragmentação social, de sensação atómico-destruturante, não pode a escola alhear-se modelarmente das exigências que modernamente o mundo nos coloca. E o que faz o Executivo??? Desorganiza, ataca, impõem coactivamente, pela força do discurso vazio, pobre, inculto, um conflito que de nada serve os interesses de um país que se quer culto e educado para responder às necessidades tecnológico-universalizantes. Dito isto, ser-vos-á claro, somente recorrendo à vossa memória ocular que a impressão prevalecente e real é de que a educação e o princípio de integração e as relações com a plebe dirigente, não têm sido nada integrantes. Basta desabafar o desprezo que sinto pela nata elegante do topo da montanha, aquela que se diz esclarecida no processo de campanha eleitoral, mas que padece sempre diante de uma mercado obscuro aos olhos de um leigo alheado, contudo, bem real, bem próximo, ao virar da esquina. Seremos governados pela imagem que vemos todos os dias???, ou por um mundo oculto ao senso-comum quotidiano???
Paradoxo de Governação
Assiste-se a um ilogismo insolucionável na Democracia: a relação entre promessa e concretização. Pode-se dizer que a primeira versa a criação de expectativas irracionais; a segunda o despertar da racionalidade. O processo de poder é cíclico, em essência baseado sempre na mesma conduta, inalterável, ilusória, esperançosa. Consiste na poeira que cria uma bacia de misticismo e a ideia de futuro sorridente, motivacionalmente necessária para a renovação moral da sociedade, subsequentemente, a política pragmática impõe-se, a frustração destrona a esperança, cria-se assim as condições para a renovação política. O eterno retorno é o adjectivo conceitual das relações político-sociais. O poder na óptica da tomada, é sempre conservador, raras excepções toma as rédeas reformistas, sendo certo que contextualmente, só uma crise lhe dá garantias de razoável eficácia. E é de se apontar: a crise é um antro de desejo ao passado, por isso, a reforma visa a conservação do ambiente degradado, o retorno ao institucionalmente correcto, e é nessa linha que surgem as modificações qualitativo-sociais. Parto é certo de uma visão estagnada da natureza humana, inalterável, moldada muito lentamente, por isso, é quase como se existisse sempre como uma pedra. Em suma, pode-se dizer que a aspiração à progressão ascensional é que caracteriza sinteticamente a conduta humana.
Capitalismo E Comunismo
Acho de bom tom que se recupere o espírito empreendedor de se discutir modelos organizativos e seus pressupostos. Sem isso, uma renovação social é impossível, mesmo que ilusoriamente. Proponho neste blogue um amplo debate de ideias sobre esta matéria.
O capitalismo busca o lucro, o Comunismo criar um sem lugar dentro dum lugar. A igualdade, a condução progressivo-ascensional do homem, é a sua aspiração. O igualitarismo, a racionalidade, pautam este modelo organizativo-social. Inversamente, o Capitalismo firma-se na realidade animal humana, instintiva, menos moderada, sendo por isso identificado com os grandes desastres inumanos. É que domesticando ao seu prazer os instintos, racionalmente os recria, desregulando apetites, irracionalizando e bestializando o ser humano. Ambos são um paradoxo governativo, e deles se deduz uma generalidade teórica para a sociedade.
Penso que não faz sentido pensar-se tudo sem o retorno à Idade de Ouro, a Infância. Talvez fosse aí que Platão buscasse alguma inspiração para o seu conceito mundano-ingénuo. Pessoa, na veste de Caeiro, encarna com valor essa resposta à crise humana que atravessamos: se o ser olhasse com singeleza, de um olhar empírico-infantil, talvez evitasse muitos conflitos interno-intelectuais, talvez encontrasse a chave para muitas questões que o atemorizam, e a sociedade veria com lucidez o seu caminho humano-existencial. Não nos esqueçamos de uma coisa: as crianças aprendem, com a sua destreza, têm o mundo a absorver, buscar e aprender. Peguemos na Lição da racionalidade, misturemos num caldeirão a ingenuidade infantil, talvez nos seja revelado qualquer lux para os nossos labores, o Eterno Artista Ingénuo.
Publicada por Carlos Vinagre à(s) 00:02 1 comentários
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Kronos Livro
Caros leitores, brevemente estará disponível uma colectânea de poemas do blogue Kronos. Quem o quiser adquirir, basta contactar-me pelo gmail disposto na minha página de perfil.
O livro será editado independentemente. Conterá um prefácio escrito pelo Teixeira Moita, um desenho para a capa feito por Ricardo Gonçalves, uma nota breve de cada autor e um posfácio feito por Carlos Pinto Vinagre. Os melhores poemas, escolhidos pelo grupo e por cada autor em coonjunto estão lá reunidos, com pequenas alterações, ajustamentos e extensões. A razão de tal acontecer é simples: muitos foram feitos em ambiente descontraído, ficaram na cabeça do autor como incompletos, agora que serão apresentados em livro, sentiu-se a necessidade de se proceder à finalização da obra deixada para trás, sem a devida atenção. Pedimos desculpa pelo sucedido, são as exigências da realidade que nos dispersam.
Por fim, este livro destina-se a honrar o nome de um espaço que foi a catapulta para o Movimento que se está a criar, foi um espaço de evolução, de experimentação sem compromisso e de diálogo. Esperemos que tenhamos correspondido minimamente às exigências de cada um, tanto leitores como colaboradores e autores.
Publicada por Carlos Vinagre à(s) 13:13 0 comentários
