terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Hábitos de Leitura em Portugal

De momento encontro-me a ler o livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu. Antes de começar a ler o livro, ouvi pela boca de alguém, que já toda a gente tinha lido esta grande obra de Sun Tzu escrita no século V a.C., e que ainda hoje é a maior referência ao nível da ciência militar. Isto foi-me levando a reflectir sobre quais os reais hábitos de leitura em Portugal.
Com este texto procuro reflectir sobre quais são os reais hábitos de leitura dos portugueses. Para ser mais preciso: o que é que os portugueses lêem hoje?
Ao nível Europeu, os portugueses são um povo que lê muito pouco comparado a outros povos europeus. É um facto que somos um povo que lê pouco. Há portugueses que durante um ano (ou até anos), não lêem um único livro. Segundo um estudo, os portugueses que ainda vão pegando nuns livritos, lêem em média cerca de 12 livros por ano (uma média muito inferior á europeia). “A Arte da Guerra” de Sun Tzu, é um livro que é possível encontrar em muitas livrarias, e inúmeras editoras já lançaram o livro. Mas quanto a ser um livro de consumo massivo em Portugal, não me parece. Basta darmos uma olhadela pelo Top livros mais vendidos de uma Bertrand ou Fnac, e logo temos parte da resposta quanto ao que os portugueses maioritariamente lêem hoje. Top livros: 1- A Viagem do Elefante (José Saramago); 2- A Vida num Sopro (José Rodrigues dos Santos); 3- A Razão dos Avós (Daniel Sampaio); 4- Um Homem com Sorte (Nicholas Sparks); 5- Onde Reside o amor (Margarida Rebelo Pinto) (…)


Ler é um grande exercício para o cérebro. Os pensadores e escritores ao longo dos tempos têm-nos demonstrado a importância do hábito da leitura:
“Quem não lê, não quer saber; quem não quer saber, quer errar” Padre António Vieira
“Quem lê muito e anda muito, vai longe e sabe muito” Miguel de Cervantes
“Gostar de ler é trocar horas de tédio por outras deliciosas” Montesquieu
“Escrevendo ou lendo nos unimos para além do tempo e do espaço, e os limitados braços se põem a abraçar o mundo; a riqueza de outros nos enriquece a nós. Leia” Agostinho da Silva

Hoje em dia continuamos a ter grandes escritores, mesmo produzindo livros para consumo de massas. Basta lermos as obras de um José Saramago, António Lobo Antunes, Gabriel Garcia Marquez, entre outros.
Porém julgo existir um défice de conhecimento do ponto de vista literário ao nível dos clássicos. Muita gente nunca ouviu falar em Dostoiévski, Flaubert ou Émile Zola. Há muitos que lêem hoje em dia o Tolkien, por causa da trilogia “O Senhor dos Anéis” transformada em filme. Temos o cinema a influenciar os gostos literários…

Há muitos que ao nível dos clássicos afirmam ter lido todos os livros do Eça de Queirós. E será que já puseram a vista em cima dos livros de Alexandre Herculano, Guerra Junqueiro ou Padre António Vieira (considerado o maior escritor português de todos os tempos), entre outros escritores esquecidos?

De qualquer forma, vale sempre a pena ler alguma coisa do que não ler nada. Crime do ponto de vista literário, é gastar balúrdios de dinheiro em grandes obras só para embelezar a estante, sem nunca ter posto a vista em cima dos livros. A conclusão que no fundo tiro, é que devemos fazer por ler cada vez mais, porque a leitura é a maior arma contra a ignorância. Façamos por ler livros sejam eles emprestados, requisitados na biblioteca pública ou comprados em alfarrábios. É viajando através dos tempos ao longo da cultura da humanidade, que vemos como é grande a nossa ignorância. Como escreveu Umberto Eco: "A leitura é uma necessidade biológica da espécie. Nenhum ecrã e nenhuma tecnologia conseguirão suprimir a necessidade de leitura tradicional."

0 comentários: