terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Desemprego e motivação

O tema sobre o qual resolvi escrever é velho, mas estes dias vi-o de uma perspectiva diferente e gostaria que também reflectissem: a remuneração como motivação no mercado de trabalho

Comecemos com um enquadramento teórico.
Em equilíbrio no mercado de trabalho, i.e., quando a quantidade oferecida é igual à quantidade procurada de trabalho e o salário pago pela empresa é igual ao óptimo (de mercado,) se o nível de esforço do trabalhador é inferior ao desejado/óptimo, dá lugar ao despedimento, que não constitui uma penalização porque vai encontrar emprego no mercado, visto que está em equilíbrio.
Porém no caso do salário oferecido pela empresa ao trabalhador for superior ao de mercado e o nível de esforço do trabalhador for inferior ao desejado pela empresa, a consequência será naturalmente o seu despedimento. O trabalhador encontrará outro emprego no mercado, mas a um salário inferior ao que recebia. Portanto haverá penalização em termos de rendimento e de bem-estar.
Porém, neste caso diluir-se-á a situação de equilíbrio e a consequência macroeconómica será a existência de desemprego, que garante que o esforço é a melhor estratégia para o trabalhador, indo de encontro ao objectivo do empregador: aumento do produto e da produtividade. Por outro lado, este diferencial funcionará como um factor de motivação ao maior empenho.
Tudo isto é teoria económica, inspirada na tese de J. Stiglitz, que lhe valeu um prémio Nobel.

Trouxe-a aqui para reflectir um pouco sobre se o desemprego é vantajoso para alguém.

De acordo com esta teoria os empregadores, que pagam uma remuneração maior à de mercado, exigem níveis de esforço maiores. Desta forma, é indissociável o aumento da produção por trabalhador (eficiência) e da empresa, contribuindo, por um lado, para o aumento das vendas e consequente lucro dos capitalistas e, por outro, para o PIB da economia, numa visão mais macro.

No entanto, surgem as questões:
- Será que numa situação de desemprego na economia, justificam-se os incentivos remuneratórios para um maior esforço dos trabalhadores?
- Será que numa situação de equilíbrio, a existência de diferenciais salariais levam efectivamente a um aumento da eficiência?

As respostas são, como sempre, depende, i.e., são muito relativas.
Dependem do montante do diferencial entre esta e a melhor alternativa, dependem do nível de esforço que estiver em causa, dependem das preferências dos trabalhadores, dependem de até onde os trabalhadores estiveram dispostos a chegar, etc.
Enfim, tudo isto para mostrar que nem sempre, para os empregadores, o desemprego poderá constituir uma desvantagem, antes uma fonte de motivação. A realidade económico-social é bastante complexa e este é apenas uma das perspectivas de analisar a questão.

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