sábado, 31 de janeiro de 2009

O SR NÃO COMENTO

Mais uma vez o Sr "Não Comento" depois de interrogado por um/uma jornalista aqui à uns tempos atrás sobre o dito cujo diploma ter dito que não comentava essa matéria e que havia assuntos mais importantes para o País tais como o caso da "Ota" tendo o dito jornalista replicado "então o que tem a dizer sobre esse caso?" o qual respondeu que não comentava, agora interrogado sobre o caso "Freeport" e os 8 milhões de euros desaparecidos, o mesmo respondeu "Não comento" , para não variar e como se o desaparecimento de 8 milhões de euros não fosse nada para este rico País. Eu Ícaro Sebastião também "não comento" estas estranhas atitudes do Sr Não Comento, que depois ainda vem dizer que o povo Português precisa de fazer grandes sacrifícios. Pergunto se está a referir-se aos sacríficios que os Politicos já fizeram (tais como: diminuição do nr de deputados, congelamento de salários astronómicos, diminuiçao de cargos acumulados, aumento das reformas dos deputados para a mesma idade dos funcionários públicos, etc). Por estes e muitos outros casos estranhos que se vêm arrastando no nosso País proponho para a chefia máxima deste o SR ALBERTO JOÃO JARDIM, o qual neste momento julgo ter as máximas aptidões para o fazer, demonstrando com as suas atitudes que pelo menos iria ser um travão ao saque a que este rico País está permanentemente sujeito. Eu, Ícaro Sebastião mais não comento.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Guerra e Paz

Publico por livre iniciativa o pedido de desculpas feito pela Marta Sousa no seu blogue pessoal... Desculpem! Erro meu! Permitam-me que corrija: a aceitação do pedido de desculpas elaborado pelo Sr. Ícaro Sebastião pela autora do Pedra-Polida. Como ontem publiquei o seu brilhante artigo provocatório, por coerência, decidi publicar o post onde oficializava a aceitação do pedido de desculpas:

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Acerca do pedido de desculpas.

Aceito abertamente e sem qualquer tipo de reservas o pedido de desculpas do senhor Ícaro Sebastião esperando evidentemente que este tipo de situações não se repita. Continuarei como sempre foi meu hábito a visitar todos os blogs que sempre visitei e a comentar da forma que sempre fiz. Quanto ao facto de eu autorizar ou não comentários cabe apenas à minha pessoa, tenho o contacto do meu e-mail disponível para quem me quiser contactar. Acho de todo prejudicial para as duas partes a continuidade deste conflito que a lado nenhum leva, assim sendo dou por absolutamente encerrado este triste episódio. Não mais farei qualquer referência a esta questão no meu espaço.

Publicada por Marta Sousa

Faço público da minha parte, que o texto prometido de cerca de 20 páginas, não será publicado, visto que as condições para uma "paz armada" terem sido estabelecidas. Achei inapropriado maçar o leitor com trabalho tão detalhado, esmiuçado, extenso.


Saudações

WEF - Plano de Obama e Trichet com a OPEP a pressionar (Parte III)

O 2º dia do Fórum Económico Mundial (WEF) ficou marcado pelo anúncio de Jean Claude Trichet sobre a redução das taxas de juro na zona Euro, pela aprovação do plano Obama para a recuperação da economia, pela ameaça do presidente da OPEP de cortes na produção e pela discussão sobre o aquecimento global, num dia em que foram anunciados milhares de despedimentos de grandes multinacionais.
Ontem foi (mais) um dia negro para milhares de trabalhadores em todo o mundo. As grandes empresas (e empregadoras) anunciaram milhões de perdas e, por conseguinte, despedimentos colectivos. Por outro lado, foram anunciadas diminuições aceleradas do consumo, investimento, nº de casas vendidas e dos níveis de confianças dos agentes. Assim, o plano de recuperação da economia americana (e mundial) lançado pelo presidente americano recém eleito Barack Obama e o anúncio de mais uma diminuição das taxas de juro por parte do BCE vêm na altura certa. Esta última medida provocará uma diminuição dos encargos mensais das famílias e incentivará o consumo privado e investimento. Numa altura, em que a inflação está em níveis demasiado baixos, há riscos que se correm, nomeadamente o de deflação, i.e., variação negativa de preços. Para o consumidor não são más notícias, mas para as empresas é muito negativo porque é do tipo: "não compro hoje, porque amanhã é mais barato". As coisas ganham maior valor real, mas não há incentivo ao consumo. Ora, esta diminuição pretende evitar isso mesmo e vista como excepcional por parte do Banco Central.
Quanto à OPEP, cartel de maior importância a nível mundial, na medida em que controla o preço da matéria prima mais usada na indústria, o do petróleo. Com a recessão mundial, diminuição da procura e com o preço em baixa, os seus responsáveis estão preocupados. Para subir o preço já ameaçaram reduzir a oferta. Em causa, segundo os responsáveis da OPEP está a incapacidade de, aos actuais preços, realizar investimentos. Note-se que as actuais cotações do petróleo são muito positivas para as economias ocidentais em crise pois alivia as despesas de famílias e empresas, mas para os produtores só acarreta prejuízo, pois para além de venderem menos, recebem também menos e o petróleo, apesar da crise, não deixa de ser essencial ao crescimento económico.Outro assunto desenvolvido no Fórum foi o desenvolvimento sustentável que está longe de ser a prioridade neste debate, em prol da economia. No entanto, há quem veja nesta crise uma grande oportunidade de mudança de paradigma, modificando-se os modos de consumo energético. Propõe-se uma diminuição da excessiva dependência do petróleo, em virtude de fontes de energia não poluentes e renováveis como a eólica, fotovoltaica, de etanol e celulosa e biocombustíveis. Segundo os técnicos, este tipo de investimentos respondem às ameaças das mudanças climáticas e da insegurança energética. Mas quantas vezes já ouvimos este discurso e nada foi feito...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Deixo-vos o texto presente no blogue pessoal, http://www.pedra-polida.blogspot.com/, da autoria da Sr. Marta Sousa, que deu origem ao comunicado feito por mim ontem: Em resposta aos Esclarecimentos aos leitores elaborado pela Exma. Sr. Marta Sousa: Auto-defesa.


Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Esclarecimento aos leitores


Caros leitores deste espaço, antes de mais deixem-me dizer-vos que este foi um dia verdadeiramente enriquecedor. Acabei os trabalhos que tinha para entregar pelo que a partir de hoje posso estar mais descontraída. Não obstante a tudo isto, passei um pouco mais de tempo na internet do que aquilo que geralmente é habitual. Ontem se a memória não me falha tive oportunidade de passa no blog Pós-contemporaneidade e, de uma forma absolutamente afável comentar um post que me pareceu um tudo ou nada parcial e irrealista. Surpresa a minha quando vejo que aquele espaço dirigido por gente dita respeitadora da liberdade de opinião transforma um blog num campo de batalha.
Rosseau dizia que “A compaixão é um sentimento natural que, ao moderar a violência do amor pelo próprio ego em cada individuo, contribui para a preservação de toda a espécie. É ela que nos impele a consolar aqueles que sofrem sem que tenhamos pensado nisso antes”. Sinceramente senti-me com vontade de consolar tão triste e ignóbil sofrimento do senhor Ícaro Sebastião. Assim sendo decidi dar-lhe um pouco de atenção, visto que a mesma parece faltar-lhe. Assim sendo respondi da forma mais cordial possível aos seus comentários. No entanto, admitamos, a paciência tem limites. Acho fundamental retirar algumas das expressões usadas por tal personagem nos seus comentários para que possamos compreender melhor. Assim sendo:
“Menina Marta, é claro que tem todo o direito de dar a sua opinião e de gostar de ser um pouco pimbalhota, mas a maior Banda Rock?”
O insulto usado como arma de quem não tem argumentos para vaticinar os argumentos expostos anteriormente. Parece-me de todo estranho que um “templário” tenha este tipo de comportamento. Aliás quem guarda a herança dos templários neste momento é a maçonaria e parece-me que não desejaria de forma alguma um iniciado em seu seio a usar expressões desta tipologia. Para além de má educação acaba por cair no completo ridículo.
“Os TR são uma Banda já adorada em todas as partes do Mundo e não só por emigrantes como os X mas por toda a gente é pena não terem quem os leve em digressão Mundial pois seria um sucesso para eles e para o nosso País, e também agradam a todas as faixas etárias desde os 3 anos até aos 60, e porventura se fosse assistir a um concerto dos mesmos tornar-se-ia uma fervorosa adepta da sua potente música.”
Acredito piamente que no Japão, no Iraque, na Coreia do Norte, na Suécia e no Botswana os Templários do Rock sejam conhecidos. Como é que alguém pode dar-se à presunção de fazer este tipo de afirmações? Demonstra não mais que um desconhecimento total da realidade ou então uma ilusão profunda em algo que não existe. Nunca fui assistir a um concerto dos Templários do Rock, apesar de tudo tenho uma opinião formada acerca da banda: verdes, muito verdes…e não sou eu a única a dizer. Podemos encontrar comentários pouco generosos ao longo do cana Youtube, alguns mesmo insultuosos que eu desaprovo totalmente como é óbvio. Mas continuemos a análise.
“…vão conseguir ficar para a história como a Melhor Banda Rock Portuguesa de Sempre e não a de maior longevidade, fazendo o que melhor sabem fazer que é Rock'n'Roll potente e sempre contra o sistema, a favor dos fracos e oprimidos e das minorias.”
Lutar contra o sistema. O que é o sistema? Será o sistema que promove programas matinais nos quais apenas se promove a ignorância? Programas esses para os quais são convidados os Templários do Rock que se deixam cair no ridículo?
“Um caloroso cumprimento também para si, esperando vir a conhecê-la um dia para troca de impressões e falarmos mais detalhadamente de certos Lóbis.”
Depois do insulto…o convite para trocar impressões. Como é possível trocar existir presunção e um certo descaramento para tal? Estranho.
“Boa Noite menina Marta, antes de mais deixe-me dizer que ainda é um pouco púbere e pimbalhota para o meu gosto.”
É desta forma que começa o segundo comentário do senhor Ícaro Sebastião. Desta vez o insulto é a dobrar. Todos sabemos que o insulto é a maior protecção para a falta de argumentos, julgo que não é novidade para ninguém. Mas o insulto continua…
“Será que a menina Marta tem credenciais para falar de música? Toca algum instrumento de cordas ou de sopro? Ou outro qualquer? não me parece! Parece-me mais do género de tocar campainhas de porta, ou castanholas, ou ferrinhos.”
Não sei se os cinco anos que estudei piano e formação musical servem de alguma coisa. há quem me tivesse reconhecido o mérito, ter estudado música a sério e não andar por aí a brincar “às melhores bandas de rock de todos os tempos no nosso formato”. Muito se fala sem saber, infelizmente e o senhor Ícaro Sebastião é perito em falar sem saber nada de nada. Nem do mundo em que vive sabe. Os Landmark’s certamente estão desalinhados com o seu pensamento.
“Quanto à humildade, não aceito lições de ninguém sobre isso muito menos de alguém assim tão púbere.”
Quando não há argumento o senhor Ícaro ataca pela faixa etária. Certamente que com 20 anos já experênciei mais que muitas pessoas com a minha idade e, não querendo afirmar que o senhor Ícaro não teve muitas experiências na vida, parece-me um ser que carrega algum tipo de frustração, quem sabe por já estar na casa dos 40 e ainda não ter sido a tal “rock star” que apregoa ser. Se o senhor Ícaro se pode falar da idade eu também posso. Já Shakespeare dizia que "A gratidão é o único tesouro dos humildes". Pena é que o senhor Ícaro não reconheça que por vezes é um tudo ou nada pouco humilde, muito pouco humilde.
“Se visse o nosso lema via logo que não sabe o que diz pois o nosso lema é "Humildes e Nobres" ao contrário dos antigos Templários que eram "Nobres e Humildes"”
Um conhecedor tão profundo dos Templários não sabe que o lema oficial da irmandade é: “non nobis domine, Non nobis, sed nomini tuo da gloriam”? Ou então a célebre frase “Veritas liberablt vos”? Uma das minhas áreas de interesse são os Templários, já fiz inclusive um trabalho bem extenso acerca da Ordem, não necessito de ensinamentos do senhor Ícaro, sim porque ele propôs a dar-me uma explicação. Senão vejamos:
“…se quiser e tiver a humildade de me pedir explicações sobre isso eu terei todo o gosto em lhas dar, mas só se me pedir e com bastante carinho.”
“…gostamos de música mais pesada, mais própria para homens de barba rija e mulheres maduras e não pimbalhotas.”
Insulto e machismo presentes. Mais uma vez, só para variar.
“O Mick não precisa de dizer nada, agora não confunda a obra grandiosa dos RS com a pobre dos X, nem a obra prima do Mestre com a prima do mestre de obras.”
Aqui está o defensor dos fracos e oprimidos. A obra do mestre é sempre maior que a do mestre-de-obras. Porquê? Não são ambas necessárias? Onde anda essa defesa dos fracos? Ai ai ai…
“Dos fracos não reza a história e teria todo o gosto de lhe explicar as minhas afirmações mas teria de ser pessoalmente pois seria uma conversa para horas.”
Dos fracos não reza mesmo a história, talvez seja por isso que os Templários do Rock ainda não tenham entrado para a história.
Em resposta a este comentário a minha compaixão acabou. Tive que dizer que não estava para aturar faltas de educação e por isso mesmo limitei-me a terminar a conversa. Porém o senhor Ícaro necessita mesmo de atenção visto que colocou de rajada mais dois comentários.
“Ah já me esquecia menina Marta se aceitamos ir ao Goucha foi para salvaguardar a nossa imagem pois a partir daquele momento tudo que apareça tanto musicalmente ou visualmente parecido connosco é pura cópia”
Ri muito quando li esta passagem do comentário. Os Templários do Rock têm site não têm? E também têm Myspace, e um canal no Youtube. Tudo datado, televisão para se certificarem que ninguém os copia e lhes rouba a ideia? Uma resposta mais convincente se faz favor.
“Vamos gravar este ano dois álbuns com o pessoal do Metal que é com com nos sentimos bem, mas isso é só para homens de barba rija e mulheres maduras que sabem o que querem e não pimbalhotas.”
Mais uma vez o insulto. Já não viram estas expressões em qualquer lado? Mas que falta de originalidade não é?
“Será que é por os TR andarem a incomodar muita gente?”
Adoro estas bandas que pensam que por terem ido à TV já têm o mundo todo preocupado. É triste…
“Menina Marta, menina Marta, esta vida é dura não é uma novela cor de rosa.Um abraço e sonhos violentos e Templários. Ícaro Sebastião.”
No fim o senhor Ícaro (após me ter insultado violentamente) vem com moral para cima de mim a dizer que a vida não é uma novela cor-de-rosa. Mas…cor-de-rosa é o estúdio no qual os Templários do Rock perderam toda e qualquer credibilidade perante a minha pessoa. Aquela rubrica matinal do Goucha.
Para terminar…a coroação do insulto:
“Notícia de última hora: os "Templários do Rock" descobriram que andam a incomodar os Pimbalhotos, os Engomadinhos e as miúdas de jardineiras descaídas. Daí as dificuldades de tocarem em certos locais. Ícaro Sebastião.”
Que fazer com estes coitadinhos?
Mas…não fica por aqui. Podemos fazer uma analogia com a obra de Cervantes “D. Quixote”. Estivemos a falar do D. Quixote (Sr. Ícaro Sebastião) agora iremos passar a falar um pouco sobre o seu fiel criado Sancho Pança.
Sancho Pança tem o nome de Carlos Vinagre. Muito mais inteligente que o seu senhor, não usa o insulto no entanto atiça a fogueira sempre que pode, aquilo a que vulgarmente chamamos de gente mesquinha.
Entre uma publicação e eliminação de comentários sucessiva (o que diz muito da rectidão da pessoa em causa) passo a comentar as intervenções do pajem nesta discussão. Começa de uma forma bastante leve, mostrando que até sabe quem é o Sequeira Costa (uau que menino brilhante, tão culto).
“Logo de seguida mostra a faceta real. Sempre que via, feito estúpido, infantil, rodeado de 10 anitos as bandas de rock portuguesas, como que inconscientemente, brotava na minha mente uma analogia entre o pimpa, os cenários pimpalhotos e as bandas de rock de cá. ppppfffffff... ouço duas vezes, já não suporto. Não é estímulo para o cérebro, só me enfada. Os Xutos na sua carreira têm somente umas quantas músicas que se aproveitam. O resto é só chouriçada.”
A expressão pimbalhoto(a) deve estar neste momento a ser dita sem vezes nos Morangos com Açúcar, deve ser a expressão da moda em Portugal.
“Eu acho que devíamo-nos dedicar ao sexo só.”
Demonstra um pensamento absolutamente magnífico, sinceramente gostei.
Mais à frente inicia a encenação de uma orgia porno:
“A noite, ímbecis adulterando a sua personalidade para chamar a fêmea... grrrrr... anda cá que eu te salto para cima!!! Música??? Quem houve??? Quem a interpreta??? Interpreta-se muito sexualmente, as musas gemendo, operetas, os acordes divinos.. poqui poqui... Truz truz: eu sou o lobo mau!!! Quero te assar no espeto”
Logo depois diz que eu não entendo nada de música julgando mais uma vez sem me conhecer. É realmente triste que existam pessoas com este tipo de forma de estar.
“…ela não deve conhecer muito o meio da música portuguesa, pelo que vi das várias intervenções”
No seu último comentário o Sancho Pança revela-se.
“Hey, como moderador nomeado pelo superior cérebro não pimbalhoto que é o ícaro Sebastião” Infelizmente o senhor C.P.V. já apagou o comentário mas posso garantir-vos que hoje de manhã tinha colocado um comentário a chamar “pimbalhoto” ao senhor Ícaro. Que coerência esta hum? Possivelmente quando escreveu esse mesmo comentário ainda não tinha acedido à sua caixa de mail.
“…até digamos que o termo "pimbalhota" é bem ternurento.”
Que dizer? Ter pena tudo bem mas quando a pena se esgota o que vem a seguir torna-se muito complicado.
“Parece-me que inexistindo contra-argumentos da parte da Sr. Marta, posso declarar a vitória do Sr. ícaro, pois a "pimbalhota" declara somente que houve insultos”
Não quero que possa parecer uma ameaça mas já coloquei acções em tribunal por um pouquinho menos que isto.
“É simplesmente infantil esse tipo de argumentação normal nas pessoas que perdem a razão ou que constantam o absurdo ou então tomam consciência da infantilidade das suas condutas.”
Não será infantil andar a declarar vencidos e vencedores de uma discussão? Não será infantil recorrer sistematicamente ao insulto? Não será infantil bradar aos céus a estupidez?
Coloquei este texto para que os leitores do meu blog possam compreender realmente que nada do que está escrito no blog pós-contemporaneidade corresponde à realidade. Por isso mesmo sinto-me altamente lesada na minha integridade moral. Posto isto efectuei print-screens de todos os comentários ofensivos à minha pessoa. Não pretendo ser mesquinha ao ponto de levantar qualquer tipo de acção no entanto, meus caros leitores, devem compreender que não é nada agradável ser violentamente insultada da maneira que fui, muito menos quando cumpri sempre com as regras de uma discussão dentro dos parâmetros da cordialidade.

Publicada por Marta Sousa

O artigo em questão, que deu origem a esta querela chama-se: Interessantes Crónicas do Mundo da Música. Para acederem visitem:http://pos-contemporaneidade.blogspot.com/2009/01/interessantes-crnicas-do-mundo-da-msica.html

WEF - As disparidades de desenvolvimento e a intervenção do Estado (Parte II)

O primeiro dia do fórum ficou marcado pelos discursos de Putin e Wen Jiabao, primeiros ministros de Rússia e China, respectivamente, duas das maiores economias do planeta, sobre a intervenção do Estado e a ameaça de medidas proteccionistas.
A dissertação de ambos incidiu sobre a responsabilização da actual crise à actividade financeira ocidental (i.e. americana) e a intensificação da cooperação internacional.
Vejamos, para a China este é o discurso mais lógico, pois esta é uma economia muito dependente das exportações e de empréstimos e investimento directo estrangeiro. Com a recessão mundial, estas variáveis diminuem contribuindo para a diminuição do seu crescimento económico e para o aumento desemprego. Para se ter uma ideia, nos países em desenvolvimento, o IDE já caiu 80%. Esta é outra das consequências da crise, numa visão mais mediata e lata: o agravamento das disparidades de desenvolvimentos entre as economias mundiais.
Os países em vias de desenvolvimento são muito dependentes da ajuda, investimento externo e exportações. Com os principais parceiros em sérias dificuldades, estes ficam para planos secundários. Nesta alturas, os PD olham para a sua situação, para dentro, e as suas empresas a investem onde o risco é menor e/ou onde são mais subsidiadas.
Por outro lado, os países do Norte tenderão a adoptar políticas proteccionistas em termos comerciais, i.e., de restrição às importações e incentivo às exportações. Esta foi uma das questões levantadas ontem e pode consistir em barreiras alfandegárias (tarifas mais elevadas, quotas de importação, restrições qualitativas ou subsídios à exportação). Esta forma vai contra um dos principiais discursos dos países do Norte, porque não passa disso, relacionado com o comércio livre, e os interesses dos PVD porque para além de não exportarem correm o risco de também não produzirem pelo facto de chegarem ao seu circuito económico produtos importados mais baratos e subsidiados. Em suma, este receio é bem real e será (mais) um grande entrave ao crescimento económico e desenvolvimento dos países mais pobres.
Desta forma, compreende-se o motivo pelo qual os políticos chineses apelam à entre ajuda mundial, até porque os males de uns acabam por se transferir para os outros.
Pela Rússia a questão levantada foi outra: os limites para a intervenção do Estado. O Estado tem assumido um papel essencial na atenuação das consequências da crise liberal, seja pela nacionalização de bancos (onde estão as poupanças dos indivíduos e que são os maiores e principais financiadores de actividade económica mundial), pelo apoio aos desempregados, pela subsidiariedade/atenuação dos impostos às empresas mais empregadoras, ou pela promoção do investimento gerador de emprego e rendimento. A questão levantada por Putin foi até onde pode e deve ir a intervenção e deu o exemplo da ex-URSS que fez do poder estatal absoluto cujo colapso se deu em 1989 com a queda do Muro de Berlim. Ainda hoje se assiste à transição de uma sociedade socialista para uma liberal, com custos sócio-económicos elevados, quer pela via da competitividade, quer pelo desemprego, pobreza e exclusão, não obstante os muitos recursos naturais existentes na Rússia. Ora os receios de Putin é que haja um retrocesso neste duro processo, principalmente pelos custos de transição. Surge então a questão sobre qual o papel do Estado na economia, defende então uma posição activa no que diz respeito à transparência e regulação do sistema financeiro e do mercado em geral sem, contudo, participar directamente na economia, como foi regra durante o Comunismo soviético.

WEF - Adivinhem quem são os ausentes! (Parte I)

O Fórum Económico Mundial, que decorre de 28 de Janeiro até 1 de Fevereiro é este ano (inevitavelmente) subordinado ao tema "Shaping the Post-Crisis World"
Foi fundado em 1971 e é uma instituição independente sem fins lucrativos com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento económico e sustentável a nível mundial. Reúne-se anualmente em Davos, na Suíça onde está localizada a sua sede e é composta pelos países mais desenvolvidos e as maiores empresas mundiais, se bem que nos últimos anos tem incorporado também as economias emergentes. Enfim numa palavra, este é o fórum dos ricos.
No actual contexto económico-financeiro, com a crise nascida no cerne do capitalismo, tem todo o interesse saber o que os governos e empresários mundiais propõem para as economias saírem dela. Não é uma qualquer, pois trata-se da maior desde a Grande Depressão dos anos 30, que, num ambiente de globalização, não deixa ninguém imune.
Centrado neste objectivo e em debater a crise e as suas implicações no futuro, nas mais diversas categorias: económica, financeira, ambiental e em termos de desenvolvimento, o WEF de 2009 é marcado por uma mudança radical quanto ao tipo de participantes. Os grandes empresários e banqueiros primam pela ausência (a sua presença é muito inferior à de edições passadas), naturalmente, pois grande parte do sufoco económico partiu deles, em oposição aos políticos, representantes do Estado, que são quem os tem substituído nos mercados financeiros (aliás, o número de responsáveis governamentais duplicou em relação a 2008). Portanto, este encontro que nas últimas edições era visto que uma oportunidade de negócio, onde eram ostentados luxos, se faziam auto celebrações, festas e até onde figuras de renome mundial faziam campanha por causas solidárias dão lugar (caso de Bono da banda U2) dão lugar a ansiedade, curiosidade e aos responsáveis máximos da política mundial.
Deste modo, as expectativas do encontro mais do que falar das consequências é saber quais as soluções propostas e como pô-las em prática. Está implícito que urge a necessidade de uma nova ordem económica mundial, que tem de assentar necessariamente numa regulação do sector financeiro muito maior que aquela que se fazia sentir e cujos efeitos estão a ser penosos e saber qual o papel do Estado daqui em diante. Não restam dúvidas que o mercado autoregulável falhou e só com a cooperação e esforços conjuntos entre todas as economias e que se irá chegar a uma solução.

PEDIDO DE DESCULPAS Á M. MARTA SOUSA

Eu, Ícaro Sebastião venho por este meio pedir humildemente desculpas à menina Marta Sousa por ter usado o termo "pimbalhota" quanto à sua pessoa, não desejei ofender, usei o termo com um tom de brincadeira, por isso como disse peço desculpas por o ter feito, bem sei que a menina Marta é uma mulher inteligentíssima e como tal vai aceitar o meu pedido e reflectir sobre o assunto. Tudo de bom para si na cidade da Luz fazendo votos que não viva nas trevas. Um abraço Ícaro Sebastião.

Em resposta aos "Esclarecimentos aos leitores" elaborado pela Exma. Sr. Marta Sousa: Auto-defesa


Penso que este espaço foi maleficamente denegrido pela inapropriada e injusta conduta da Sr. Marta Sousa. Teceu um comentário onde ridicularizava, de maneira tendenciosa, os autores do pos-contemporaneidade, o Sr. Ícaro Sebastião e Carlos Pinto Vinagre. Igualmente eliminou a possibilidade de podermos comentar, negando-nos o direito à protecção do bom nome, da nossa imagem como participantes de um espaço democrático, de reflexão e sobretudo livre a qualquer crítica, desde que feita segundo a consciência do homem normal, aquele homem que é o modelo que inspira as leis em qualquer sociedade ocidental. A este procedimento vergonhoso, resta-nos responder neste espaço, com um texto detalhadamente extenso, com sátira, com desconstrução dos seus argumentos, com apresentação da causa que determinou a elaboração dos nossos comentários, de forma a elucidar o público que nos segue da razão que ditou a nossa conduta, do respeito que nutrimos pela liberdade de opinião, de maneira aos nossos colaboradores e autores entenderem o que realmente se passou. Quem conhecer a Sr. Marta Sousa, compreenderá o que se passou, conhecendo o seu comportamento altamente instintivo, altamente impulsivo, altamente conflituoso. Compreenderá também a razão que ditou as nossas palavras, sem orientação insultuosa, cheia de respeito real, e de tom leve de riso. Infelizmente, nem todo o ser é democrático e aceita o riso, a ironia, o espírito queirosiano, mesmo que estejamos longe, muito longe de o alcançar. Brincar não é sinónimo de insultuosidade. Agora ressentidamente proceder a uma pérfida provocação, num blogue pessoal, nem nos dar espaço a usar da palavra, como se tivéssemos o triste hábito de ir para os espaços pessoais dos "outros" perturbar a sua serenidade, provocar discórdia, temos portanto de replicar serenamente na nossa casa. Estão cerca de 20 páginas prontas a abafar os argumentitos que a Sr. Marta Sousa ingenuamente usa contra nós. Como não nos conhece, e sobrevaloriza as suas capacidades, naturalmente verá o seu esquema cair peça por peça, emergindo ao ridículo a sua imponderada postura. Tenho dito.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Parlamento Global: socráticas frases

Transcrevo do site http://www.parlamentoglobal.pt/ , do seu blogue, algumas frases do Sr. Primeiro Ministro José Sócrates durante o debate quinzenal de 28 do 1 de 2009:

"O estudo é de peritos, feito com metodologia da OCDE."

" Os senhores estão contra o sucesso do país."

"Nunca vi o debate político cair tão baixo."

"Cada vez que as coisas melhoram, lá vem o PSD a dizer que o governo está a trabalhar para a estatística."

"Vou responder pela quarta vez. Não se deve baixar de forma universal a taxa social única. Propomos baixá-la em 3 pontos para as empresas que garantem que não despedem."

"Guilherme Silva disse à Lusa que era vital" a construção do TGV."

"Não tenho memória de outra época em que o estado tenha investido tanto em educação."

"São 12 as medidas para apoio ao emprego. Foi um gosto ouvi-lo falar ontem na AutoEuropa."

"As empresas do sector automóvel estão hoje mais fortes para resistir à crise."

"O que os senhores deputados adoram são situações trágicas e atacar o governo. A culpa de tudo é do governo!"

"Só garanti a ajuda do governo à Quimonda e mantenho."

"O que se trata é de responder e reagir e ajudar as empresas viáveis

"Temos que fazer o possível para que as medidas respondem em concreto aos problemas. Evitar as medidas generalistas..."

"Não respondeu à pergunta. Isto é um debate, não é um interrogatório, nem o Quem Quer Ser Milionário!"

"Está mais em quê, lavoura ou apoio aos deficientes das forças armadas?"

"Se o senhor deputado acha que o objectivo [dos 150 mil empregos] pode ser atingido no quadro da maior crise, está a faltar à verdade política."

"A sua intervenção é o espelho da oposição. Apenas apresentam problemas

"Estamos num tempo para responder ao problema."

"A decisão de acabar com as offshores tem que ser tomada a nível europeu."

"No dia do licenciamento do Freeport, estava em vigor a anterior Zona de Protecção Especial."

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Rasgos Reflexivos


Aviso: este artigo contém alguns erros. Foi feito em jorro para o blogue, e efectuei uma pequena revisão. À medida que escrevi, mais dúvidas me assolavam em cascata. Senti vontade de as esclarecer, de retocar a forma do texto, de acrescentar outros raciocínios, por isso, suspendi o trabalho para reler em soslaio as "sagradas escrituras" e a obra de Nietzsche, e fazer mais umas leituras de alguns autores. Logo que me sinta minimamente satisfeito, procedo às alterações devidas e faço uns acrescentamentos. Como o texto foi escrito directamente para o blogue, tornou-se maçudo revê-lo, são tantos os estímulos e a angústia das incertezas que vão depertando a nossa mente até à exaustão...Peço desculpa aos leitores. Até breve.




Houve quem dissesse que a decadência era " a perda de unidade", Husserl. Eu digo que a decadência é somente o falência ou insatisfação e frustração com um projecto. É a lucidez a imperar sobre o adormecimento.

Nada melhor que Sísifo para demonstrar a dimensão existencial humana: um colosso que esfria no alto da montanha, e taciturno, retoma a sua cíclica tarefa, com a mesma pedra, sempre a mesma pedra... indeterminavelmente. Camus foi sugestivo, ao nos apresentar esta entidade e acção mitológica para demonstrar o absurdo da vida humana. Não quero ajuizar, não quero tomar o raciocínio e explorar a minha opinião, quero tão só dizer que a decadência é uma lei natural, sem a conotação inconscientemente negativa que por vezes lhe atribuímos. A concepção negativa que entorna o conceito, é proveniente quiçá da forma absoluta com que nos vemos no mundo, fruto de um instinto inconsciente de protecção moral do nosso organismo. Para vivermos, precisamos sempre de um quê de dogmático e inconsciente, se me permitem aplicar uma ideia pessoana e reutilizar noutro contexto uma ideia apresentada no manual de introdução ao direito do Dr. José Pinto Bronze. E compreendo a necessidade de tal estado mental. Digo que é um estado, num sentido que tende a querer conservar-se, é como uma instituição, normalmente conservadora, desconfiada de inovações que possam esbater a sua razão de ser. Contudo, não é a nossa vida uma instituição culturalmente fabricada, socialmente orientada, uma dimensão cultural, institucional???

O conhecimento, como instituição, é por si conservador, porque o conhecimento é produto humano, e acompanha e reflecte o seu sentido vital. Uma sociedade jovem, é uma sociedade criativa, capaz de acompanhar os tempos, desde que sustentada com uma educação digna e flexível.

O sentimento, a emoção, são os condutores ascéticos da vida. Reflexo sintomático da vitalidade de um organismo, com eles, desde que conduzidos sobre-humanamente, a humanidade poderá aspirar à dignidade que lhe é devida. Quem os nega, quem os oculta, é rasteiro, um ser incapacitado e doente, quem os utiliza e molda apolineamente, atinge o cúmulo das graças representativas. Escrever, com uma férrea disciplina, retira o vitalismo. Seguir a linha associativa, é a espontaneidade do espírito a romper em cataclismo, expressão das altas profundidades humanas. Ouso declarar: as regras são institutos asfixiantes e pouco condutores. Necessitam de ser abanadas, ligeiramente repensadas e rompidas, às vezes, para que o ser se reveja, ou melhor, se posveja noutra realidade. Assim sendo, a decadência se espanta, estilhaçada, dá lugar a novas crianças, ingénuas, prontas a seguir tragicamente a escalada de Sísifo até ao cume das alturas.

A filosofia do século XIX foi riquíssima. Ainda hoje vivemos sobre a sua racionalidade, sobre as suas doutrinas. O século XX foi a adultez dessa fase preparatória. Matemática, técnica, arte e música, a Europa bafejou o seu génio, criado sobre as costas de antigas civilizações, graças à exploração que submeteu os outros povos à sua orientada corrupção, ao seu fôlego ganancioso de poder e grandeza. Continente limado de contradições irresolúveis, ao olhar do inconsciente lógico, que pensa que a realidade é vivificada por esquemas de raciocínio humano-simbólico, ergueram-se as verdadeiras consequências da Renascença europeia. Repito: europeia. Claro que quem vê contradições tem o espírito estreito, não compreende o processo mental que efectua: como as crianças atribuem os seus estados onírico-diurnos a bonecos sem vida, assim julgam a realidade do mesmo modo, tendo somente uma qualidade mais sofisticada de hermenêutica e dissimulação, e um quantitativo de consciência e factos superiormente. Até o próprio facto é um esquema matemático. Tem por base a descrição e uma causalidade espaço-temporal, assumindo como realidade, dogmaticamente aceitando a noção matemática, direi eu, a variável tempo, racionalização da realidade como um instrumento simbólico criado pela humanidade.

O que impera hoje, é o símbolo ocidental, a sua linguagem, os seus institutos, imposto belicamente, abstractamente, como superiores ao empírico, ao que provém dos sentidos. É a cultura cristianista, com prenúncios no platonismo que governa realmente as consciências. E o que é a consciência??? Um amontoado de traumas, de energias expansivas e retractivas, governando-se segundo regras que se energificam segundo as memórias que sobem e descem, segundo a predominância ou do medo ou do receio ou de nos expormos ao ridículo. Somos esse animal doméstico, aspirante à conquista do outro, com toda a brutalidade do nosso egoísmo, que, vejam!, não é uma coisa má. Quem atribui ao egoísmo uma conotação negativa, está somente a criticar a existência de um radicalismo egoístico, de poder superior expansivo, que ardeja integrar e ordenar as seus semelhantes aos seu conceito de bem, mal, de certeza, incerteza. Afinal de contas, não foi o direito criado para racionalizar essa energia atributiva que nos molda e caracteriza? Não pretende ele nos conceder regras para satisfazermos os nossos apetites seguindo dogmas, institutos criados que nos fornecem caminhos para obter os nossos propósitos??? É isto a vida humana, um conjunto de pequenas metas, fornecidas por institutos, para alcançarmos, e ter uma momentâneo gozo de superioridade sobre os nossos instintos. Afinal de contas, resume-se a uma vontade de poder, poder expansão das nossas conquistas, por conquista dos outros.

Retomando ao século XIX: não houve para mim pensador filosófico mais original que Nietzsche. É sem dúvida superior quanto à capacidade de interpretação da realidade humana. Nem Marx, ouso dizer, com todo o seu enciclopédico saber. Marx, sendo relevante a sua reflexão, muito superficialmente atingiu a visão correcta do homem do seu tempo. Trabalhou sobre mortas realidades, indicou juízos morais, noções e o condicionamento do espírito pela matéria, tornou pesado o seu trabalho, mas no fundo, com o seu saber académico, o que forneceu de criativo à humanidade??? O seu saber orientava-se tal como Nietzsche para a prática, contudo, o futuro, a realidade onde devemos expressar a nossa imagem, a nossa finalidade, pouco foi expôs. Somente umas quantas referências lógicas " ao fim do capitalismo" ou à "sociedade sem classes". No fundo, trabalhou sobre ideias, ideais, no céu, perto de Deus, das nuvens, talvez por isso tenha visto pouco os homens, coisa que acontece com o nosso Deus, parte sempre da terra para o céu, como se fosse o raciocínio indutivo, e não da montanhas para os rios, para as ninfas e os veados, buscando pelas cavernas, esse naturalismo que é a realidade humana. O Idealismo no fundo foi a perspectiva filosófica de Marx, o naturalismo a de Nietzche, mas não aquele seco naturalismo lógico de Darwin. Ele já se apercebido, o nosso pensador de bigode pomposo, que os fracos, que a fraqueza, é uma estratégia de guerra, que queria expandir-se e apoderar-se cinicamente do mundo. Neste sentido, ele realiza o espírito naturalista, expressando as suas conclusões, avessas ao niilismo cristista, com um estilo vigoroso, contagiante, porque incapacitado pelas suas enfermidade, talvez quisesse transmitir o que desejava ser pela força do seu tom oratório. E é naturalista porque, como convocou Gilles Deleuze, tratava-se de o filósofo-médico, que diagnosticava, como os escritores realistas e psicológicos franceses, Balzac, Flaubert, os sintomas doentios da cultura, da moral e apontar um caminho para os solucionar. Assim, nessa lógica, surge o Sobre-Homem ou Super-Homem, que não quer dizer mais que o novo homem, acima do homem construído com referência a uma idealização de uma Deus ausente e niilista, expressão de uma vontade decaída. Enquanto um viveu e tentei consvervadoramente, preservar e relançar institutos científicos, numa nova óptica, com alterações quantitativas, Nietzsche prossegue uma obra mais penosa, que é a reorganização, compreensão e relançamento da cultura ocidental, noutras linhas. O primeiro é reordena várias "filosofias", o segundo, procedendo de igual modo, busca ultrapassar a decadência com o elaboração de novas bases para o raciocínio humano, para outro entendimento, que desse abertura a um novo período de Sobre-Humanidade.

Podemos tirar a seguinte lição: o pessimismo actual reside no facto de tentarmos "vegetar" com base em ideias falidas, pouco mobilizadores de uma reconstrução civilizacional que necessitamos; que o pensamento judaico-cristão e greco-latino forneceu-nos os instrumentos institucionais para o desenvolvimento abstracto da humanidade, chegou a altura de pensarmos numa fase onde um novo tipo de cultura surja; o sentimento décadent provém da constatação que as expectativas que geramos com base num legado que nos foi transmitido faliu, continuarmos a viver das mesmas ideias projectivas, deveremos proceder a uma suspeita e metódica reflexão sobre o que somos, sobre a forma como nos desenvolvemos, sobre as ideias que sustentamos e que diariamente não questionamos; redesabsolutizar a mundividência que sustentamos, os ideais que nos orientam, demasiado neblusos , de maneira a estabelecermos uma projecto realista para a nossa cultura futura; reordenamento do mapa de funcionamento racional, investigativo; e se assim prodecedermos, poderá ser que reconstatemos a firmeza das nossas ideias ou o inverso, recomece um novo ciclo que nos leve ao reordenamento do nosso mapa simbólico-intelectual. A crise é aparência. Fixemos uma coisa: é o mais belo sentimento trágico que surge da percepção cognitiva que comummente atribuímos ao termo crise. A crise é simplesmente a constatação de uma realidade internamente superior às ilusões que obrigacionalmente arrastamos, para pautarmos pachorrentamente a nossa vida, com o mínimo de segurança. Ela nos dá azo a podermos proceder a um repensamento das nossas existências. E por isso, aproveitemos este nosso tempo para apresentarmos solidamente criativos projectos para nós e para a sociedade global que habitamos e somos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Postiche Governamental

Não me vou alongar em divagações filosóficas sobre o caso Freeport, nem sobre muitos outros casos que infelizmente assolam o País em catadupa, desde o célebre caso do diploma falsificado, passando pelo namoro obscuro e os tráficos de influências vindouros, ou como é delapidado o dinheiro dos contribuintes todos os dias em flores, carros de alta cilindrada, férias pagas, jantares milionários, obras de restauração em gabinetes do Estado, enfim toda a classe de mordomias e mais alguma enquanto o País atravessa uma das suas piores crises senão a pior.
Meus amigos julgo estarmos neste momento sobre um POSTICHE GOVERNAMENTAL e mais não digo. Passem bem, comam bem e f..... bem.
Ícaro Sebastião.

Interessantes crónicas do Mundo da música

Vou postar aqui hoje duas crónicas feitas num site de um grupo de rock que se dão pelo nome de "Templários do Rock" por serem interessantes de um ponto de vista politico.

Louçã e os seus devaneios musicais Janeiro 15, 2009.
No JN de hoje, dia 15 Jan 2009, sobre o aniversário dos 30 anos dos Xutos, Louçã Líder do Bloco de Esquerda, salvaguardando a amizade que os une, dizendo ser suspeito para falar disse o seguinte: "Os Xutos & Pontapés acompanharam de tal modo a história das mudanças, dos desgostos e dos entusiasmos em Portugal ao longo destes anos, que hoje são um retrato extraordinário de uma geração". Mais à frente sobre a letra do novo single "Quem é quem" onde dizem assumir uma postura crítica contra a violência bélica e os conflitos armados, Louçã diz ser do seu agrado e comenta "É importante que toda a gente diga o que pensa", "Não gosto da música que seja melodiosa e apenas para entreter, gosto das palavras duras e das ideias fortes e gosto da sinceridade" prosseguiu elogiando "a firmeza" da banda de rock.Será que o Francisco Louçã estava a falar dos Templários do Rock e fugiu-lhe a boca para os seus amigos? Os Templários do Rock é que têm músicas assim descritas como ele descreveu (ex: Bombas Assassinas, Parasita Sugador, Justiça Popular (Pedófilo), Há Sangue na Estrada, Lóbi Vermelho, Automobilista e Rico, Etc, Etc...). O próprio Tim vocalista dos Xutos interrogado pela jornalista de um canal televisivo durante o Telejornal disse andar à 30 anos a divertir-se e a mesma disse então vamos lá ouvir músicas como " A minha casinha" "Contentores" "À minha maneira". Não retirando o mérito dos Xutos como o JN diz e muito bem "A mais célebre banda da história do rock português" deixo aqui à vossa reflexão e introspecção uma análise detalhada sobre os devaneios musicais de Louçã.Para o Sr Francisco Louçã que eu muito admiro, se o mesmo o desejar terei muito gosto em lhe oferecer um CD dos Templários do Rock e mais tarde o que vamos gravar este ano (possivelmente o melhor álbum de Rock'n'Roll jamais feito em Portugal) e dizia-lhe que o motivo da oferta é para ele analisar e não confundir "A Obra prima do Mestre com a prima do Mestre de Obras". Templários do Rock a melhor Banda de Rock'n'Roll Portuguesa de todos os tempos e uma das melhores do Mundo senão a melhor no seu formato. Bem Haja e viva o Rock'n'Roll.
E ainda hoje a continuação da saga
em: Como eu tinha razão sobre os devaneios musicais de Louçã Janeiro, 26, 2009.
Para apoiar a tese do meu comunicado "Louçã e os seus devaneios musicais" nada melhor que o guitarrista da banda em causa ter dado uma entrevista no JN no dia 25JAN2009 e ter dito que "Infelizmente não há ninguém - ninguém mesmo - com capacidade para ocupar o lugar dele melhor do que ele", este ele é como devem calcular o SR José Sócrates (actual Primeiro-ministro de Portugal), e mais à frente diz "Neste caso, espero que Sócrates não perca as eleições. Tem de dar a volta por cima", grande clima de intervenção sr Louçã, não haja dúvida que estão mesmo contra o sistema. Mais à frente num rasgo de humildade quando lhe perguntam "Ainda acha que a crítica musical em Portugal é uma merda?" responde "Sim, ainda acho isso" pelo que a jornalista (também ela isenta) replica "Será por isso que a crítica é tão unânime em relação aos Xutos?", ao que responde "Não tem outra hipótese. Não vale a pena dizer mal, seria ridículo", eu deixo uma pergunta no ar será que a crítica é uma merda por isso mesmo, ou seja, por ser tão unânime? Com esta interrogação acabo a minha crónica rematando que como os outros tem todo o direito de dizer destas coisas também eu tenho todo o direito de dizer que SOMOS A MELHOR BANDA DE ROCK'N'ROLL PORTUGUESA DE TODOS OS TEMPOS E UMA DAS MELHORES DO MUNDO SENÃO A MELHOR (NO NOSSO FORMATO). Já agora não andamos à procura de medalhas ou condecorações pois queremos andar sempre de cabeça levantada para pudermos denunciar tudo que de mal vai por este Mundo. Templário Henriques.
Ícaro Sebastião.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O panorama partidário português

Antes de mais boa noite a todos. Venho hoje falar do panorama político em território luso. As legislativas serão daqui a menos de um ano. Os candidatos começam a perfilar-se, os partidos iniciam operações de charme e o governo lá irá apresentar as medidas populares e inaugurar obras com a comunicação social sempre atrás.

No que toca a partidos, irei falar dos 5 principais (PS, PSD, PCP, BE e PP) não porque os outros não mereçam referência mas sim porque estes são efectivamente os partidos que têm poder efectivo.

O PS está bastante forte, é sem dúvida o partido favorito para vencer as eleições não porque Sócrates tenha tido um governo brilhante (antes pelo contrário) mas sim porque a oposição foi nula. Sócrates irá certamente vencer as eleições legislativas, a grande questão que se coloca é se a vitória será com ou sem maioria absoluta.

O PSD por sua vez está pelas ruas da amargura. Erros sucessivos desde que Santana Lopes assumiu o cargo de primeiro-ministro levam a que o povo português olhe para os Sociais Democratas como um partido desorganizado, sem coerência e sem união. Ferreira Leite terá um fardo pesado mas, ao que tudo indica, esse fardo deverá ser delegado. Quero com isto dizer que muito possivelmente Ferreira Leite não vai ser candidata a primeira-ministra. Continuará como líder do partido mas não será a candidata, para esse lugar há vários nomes em agenda no entanto Rui Rio parece neste momento o homem com melhores condições para se candidatar contra Sócrates. O PSD procura uma candidatura não para vencer as eleições mas sim para tentar retirar a maioria absoluta a Sócrates. Lançar uma figura como Pedro Passos Coelho nesta fase seria arriscado visto que não venceria as eleições devido ao facto de Sócrates estar em alta. Assim sendo o PSD terá uma estratégia de defesa e não de ataque nestas eleições, o objectivo não será certamente ganhar.

No PCP Jerónimo de Sousa terá a difícil tarefa de tentar captar algum eleitorado de esquerda descontente com o governo de Sócrates, no entanto é uma tarefa que se adivinha difícil visto que o Partido Comunista continua a ser bastante ríspido e sem qualquer sentido de flexibilidade. É um partido caduco cujas suas políticas não se coadunam de forma alguma ao tempo em que vivemos. O partido só poderá ascender se iniciar uma política de renovação.

O BE continuará o seu trabalho de tentar ser a terceira força política portuguesa. Muitos jovens estão ligados ao partido de Louça, será curioso ver a forma como Louça vai fazer a sua campanha, quais os pontos que o líder esquerdista irá focar. O BE terá alguma dificuldade em ser terceira força política mas...as surpresas acontecem, resta-nos saber se será uma boa ou uma má surpresa se tal acontecer.

Finalmente o "senhor direita". Paulo Portas e o seu PP. Na minha opinião os populares não terão uma votação da qual se possam orgulhar. O PP é Portas apenas, não há capacidade de renovação. Portas é o líder e o resto parece ser uma paisagem inanimada. Mais do mesmo é prejudicial e Portas (assim como Santana) são as duas figuras mais desgastadas da política nacional.

Em quem votar? Cabe a cada um. Não sei em quem votar mas certamente que não vou apoiar abertamente nenhum dos partidos visto que julgo que nenhum tem um projecto minimamente coerente para Portugal.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A crise económica e a desflorestação da Amazónia

Numa altura em que se fala da tomada de posse de Barack Obama, das suas medidas, do destino do mundo, da crise económico-financeira mundial e portuguesa, trago uma notícia que achei muito interessante. Em consequência da crise, a desflorestação na Amazónia diminuiu 82% nos últimos 5 meses face a 2007. É uma percentagem muito significativa, mas será bom, será mau ...

Vejamos, esta diminuição é um reflexo da crise económica no sector das madeiras, os clientes/procura interna e externa tem diminuído drasticamente por consequência da crise e nada escapa. Tendo em conta que este é um dos sectores com maior volume de negócios e que rende muito dinheiro, cuja madeira é a matéria prima para a indústria do papel, decoração, mobiliário, contrução etc , esta não deixa de ser uma má consequência da crise para o circuito económico brasileiro (e mundial), nomeadamente ao nível da produção industrial e das exportações.

Por outro lado, em termos ambientais é uma excelente notícia, tendo em conta que se trata do maior pulmão do planeta e que há largos anos a esta parte tem sido descurado pelos políticos brasileiros e mundiais. Esta redução abrupta tem por consequência a diminuição de emissão dos gases estufa, que contribuem para o aquecimento global. Segundo responsáveis políticos, outra justificação para esta variação são políticas mais rigorosas e restritivas na floresta.

Contudo, veja esta queda como uma situação conjuntural que, infelizmente, não é causada por mudança de mentalidades ou paradigmas, porque quando a economia recuperar, tudo vai voltar ao antigamente.
Em todo o caso, numa altura de depressão económica, valha-nos a consolação de respiramos um ar melhor!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Decadentismo peninsular: Berço Lusitano

Importa neste espaço seguir-se uma orientação metodológica. O escritor Espartano apresentou um tema estimulante, resta-nos escrever um artigo de opinião sobre o tema lançado por ele.

O discurso de Antero de Quental, adoptando pontos de vista defendidos por Alexandre Herculano, defende que a falta de liberdade, que o catolicismo retrógrado, que a expansão marítima contribuíram para a decadência do povo português, dos povos ibéricos. Acho oportuno acrescer a tese da "política de transporte" defendida pelo António Sérgio, que nos dizia que o facto de sermos um intermediário, ou seja, limitávamo-nos a transportar um determinado bem para uma grande cidade comercial, trocando por bens que necessitávamos, determinou a queda moral e económica do nosso país. Notemos um aspecto: António Sérgio valoriza o económico, tal como os materialistas faziam, para explicar a decadência do espírito, da moral, da civilização, se é-me lícito recorrer ao termo civilização, ibérica. Entendo agora apresentar o meu ponto de vista.

Antero diagnostica um problema grave, que entorpeceu o povo: uma inércia derivada do poder absoluto. O catolicismo contra-reformista, alheio à diversidade de pensamento, intolerante, determinou o empobrecimento intelectual da nossa Nação. Basta apontar que desde Camões, o grande poeta que surgiu foi Bocage. É um dado que pode nos elucidar para o abrandamento criativo do nosso povo, mas insuficiente. A nossa cultura se fechou, como a China milenar que só há uns quantos anos se industrializou e lentamente começou a absorver culturalmente o Ocidente. Foi proveniente desse fechar-sobre-si que derivou a redução do espírito crítico. Mas não explica tudo: a China está a prosperar vertiginosamente, é um país onde o liberdade não é uma virtude cultivada na praxis diária, logo penso que não será esse o motivo fundamental para explicitar o porquê do nosso adormecimento da marcha dos povos progressivamente avançados e desenvolvidos.

A política de transporte sedimentou hábitos, vícios de enriquecimento fácil. Ao buscarmos matérias-primas, especiarias, ouro, trocávamos na Flandres, a exemplo, o nosso excedente, ou antes, o excedente social dos outros por produtos manufacturados que não possuíamos. Ao facto de não produzirmos, o que normalmente gera abundância, crescimento da população, do consumo e estímulo ao aumento do trabalho, desbaratávamos os lucros provenientes do transportes em produtos que necessitávamos, inculcando o espírito do facilitismo entre as elites políticas. Acresce o facto de demograficamente, pouco mais de 1.000.000 de habitantes possuirmos nesse tempo. Era insuficiente para sustentar o nosso império, para o colonizar, para nos sedimentarmos. Por essas razão começamos a utilizar mão-de-obra escrava. Penso que este factor tenha sido determinante. Contudo, é melhor a quem tenha interesse buscar mais conhecimento na nossa economia medieval, há vícios que remontam desse tempo, a economia não estava suficientemente preparada nem necessitada de mercados externos para exportar volumes da nossa produção. A expansão deveria ser um estímulo, para o nosso enriquecimento, não um fim-em-si, não um meio empírico de enriquecimento. Ao nosso erro estratégico faltou uma concepção doutrinal que nos elucidasse sobre " a natureza da riqueza das nações". Se olharmos o mercantilismo ibérico, veremos o que fundou medidas erradíssimas, pouco pragmáticas, que nos conduziu ao estabelecimento de hábitos errados, à criação de uma elite fraca e inesclarecida.

Educação: as elites em Portugal, sempre preferiram hábitos boémios, lembre-se do fadinho e do vinhinho que tantos gostavam, as touradas que motivavam o seu orgulhinho. Não quis o Marquês de Pombal criar instrução para a classe nobiliárquica, no sentido de criar uma sociedade mercantil??? Infelizmente, mercantil já éramos, faltava-nos uma sociedade industrial. O comércio é importante para conduzir a indústria ao florescimento, é um meio de enriquecimento, não um fim-em-si. Isso é um erro do pensamento mercantilista, porque é estritamente empírico. Outro dado a acrescentar: a terra era propriedade da classe ociosa, o vinho o seu amor. Essa razão limitou o alcance das medidas do Conde de Ericeira, conduziu a uma crónica dependência da Inglaterra.

Síntese: a falta de educação; censura e falta de liberdade; absolutismo político e católico; política de transporta; falta de visão político-económica das classes dirigente; inexistência de um tecido verdadeiramente produtivo, autárquico e direccionado para a exportação; são alguns factores que explicam o nosso relativo distanciamento em relação a algumas nações europeias.

Por fim gostava de referir que o distanciamento geográfico do nosso país do centro conflituoso do continente europeu, da economia-mundo; a estabilidade das nossas fronteiras, do nosso sistema político; a falta de conflitos internos; a prematuridade com que nos lançamos na conquista do mundo, sem experiênciarmos outros exemplo, para ponderarmos medidas adequadas aos nossos problemas; inexperiência; a união ibérica; o desbaratamento do ouro que recebemos do Brasil; a falta de aposta em bens de equipamento; a imitação de modelos estrangeiros, de erradas ideias sem atender às nossas especificidades; o endividamento, a dependência externa financeira de Portugal; o mau destino dado às suas colónias; a falta de um eficaz sistema administrativo e jurisdicional efectivamente operativo e pospectivado segundo um modelo de futuro crescimento económico, construtivo, para a posteridade, explicam em parte a decadência, que não é só nossa neste momento, também europeia!!! Este tema é controvertido, era necessário devido à sua complexidade um manual bem extenso e pormenorizado, para uma adequada resposta ao tema. Infelizmente, o espaço e o local não permite excessivamente uma explanação factorial detalhosa, com referência a fontes históricas e historiográficas. Fica uma breve síntese.


PS: A corrupção é relevante para a evolução de uma sociedade. É sintoma, tem causas e efeitos interessantes de analisar. Penso que não explica de todo a nosso atraso. São sintomas viscerais de um desleixismo, facilitismo, de inadaptação às regras oficiais e sociais de procedimento. Contudo, a Itália está cheia de corrupção, mesmo assim é um país desenvolvido. Pense-se também na Roma Antiga. É um factor a ter em conta, mas não explica ou determina a decadência. É sintoma de falta de inclusão nos parâmetros que a sociedade institucionalmente nos afecta e indica.
Em relação às instituições, é bem mais complexo. Em primeiro lugar, temos de definir que tipo de instituições são as que queremos debater. As políticas??? São a causa, de forças pluralísticas de um povo, a sua concretização, não as suas entranhas. Mas as vísceras também podem estar ludibriadas por instituições. É tautológico. Penso que as instituições sejam como a corrupção, o reflexo de um mau-estar que reflecte determinados factores que se entranharam num determinado povo, não são a causa determinante, são um factor, são um efeito da decadência que vivemos. Afinal de contas, não será a nossa vida feita de diversas decadências singulares que nos afectam???

Auditoria Semanal

Vítor Constâncio exasperou-se, o cenário da banca aterroriza os analistas, a guerra deixa um território densamente povoado em ruínas, e a Finlândia vive protestos com ovos e bolas de neve e a história faz-se no coração económico do mundo. E nós, conscientes ou não do tempo que vivemos, que dizemos sobre isto??? Qual é o alcance da nossa visão sobre estes factos que entopem as nossas frágeis almas??? É infelizmente crua a minha opinião, não vejo grande agitação intelectual, sobre os nossos concidadãos. Devia ser um tempo avassaladoramente ardente, o que se abateria sobre nós, contudo, só o Estio arrefece sobre o oco cérebro que é o nosso, cérebro descalcificado, alucinadamente articulado, para o centro artístico da nossa relatividade. Faz sentido nos entretecermos com estas matérias??? Há interesse real por um ideal de "res-pública" ??? Para além de entupidos jornais informativos, de estímulos diversos que me atiram para uma torpeza impessoalizante, eu não sinto ou vejo nada de discursivamente integrante, nada de socialmente significativo. Acho que o atordoamento é o espanto do nosso mundo, o mundinho pequeno que é Portugal. O que se faz??? O que se opina??? Há método, alcance ou desprendimento??? O que buscamos realizar concretamente??? Eu não sei, tenho a cara estalada de informação, embalado em jornais, estou sufocado de factos, por isso, sou incapaz de erguer qualquer sólido opinião.

A semana que está findando, creio significativamente, é uma semana exorbitantemente rica: Obama apresenta-se como o símbolo unificador de um novo tempo americano, mais coadunado com a RealPolitik, mais plástico e astuto, sustentado por uma rica interpretação das necessidades do povo americano, da opinião pública global. Basta dizer que desde Dezembro de 2008, o seu nome foi citado cerca de 6 milhões de vezes, esta semana escreveram-se por todo o mundo 35000 artigos sobre o actual presidente da América. As expectativas são realisticamente razoável, altas, ele personifica talvez o surgimento de um novo paradigma estratégico para a América, algo concretizado por Ronald Reagan, por JFK, Roosevelt, etc. Alia as competências de grande orador a uma clara visão que tem sobre o que o tempo que vivemos necessitamos, tem consciência das limitações a que está sujeito, o seu país, e isso é significativo, já é uma importante modificação- o anterior presidente não tinha noção do poderio real da América, das suas limitações. Há outro aspecto a focar: Obama já tomou medidas elogiosas em relação ao respeito dos direitos humanos( Guantanamo), pelo menos colocou em discussão essa controvertida casa familiar do Sr. G.W.Bush, facto que é digno de louvar. Por outra lado, tem já em ideia um plano de injecção de milhões de doláres na economia americana, encetou já contactos no médio-oriente, aponta a saída americana do Iraque e pretende reforçar os laços entre as nações atlânticas, bem como atacar o foco de infecção que é o Afeganistão. O mundo espera mudanças, tem todas as condições para o fazer, mesmo que tenha uma herança do seu antecessor bem pesadita.

Em relação a Portugal, meus caros, não há nada de significativo a dizer da minha parte. Infelizmente, não me tem atraído muito, o nosso país. Está tão curvado, tão standart and poorizado, que torna-se obsoleto e depressor nos focarmos atenciosamente nos factos provincianos que nos circundam. Não nos devemos desligar, é certo, mas também devemos olhar a nossa vida social calmamente, com riso, e seriedade. Findo com as seguintes palavras: a educação já chateia, parece uma birra de crianças, o Sócrates continua a não dar respostas parlamentar, o Mário Lino é um incompetente, o Oliveira e Costa é o silêncio da nossa opinião púbica, Dias Loureiro é o exemplo de etiqueta bancária, o SFJP contínua a inspirar uma justiça limada no ferro da lógica, a Manuela Ferreira Leite não tem jeito para motivar o populismo em sua volta, nem contrariando o projecto do TGV, basta ler no Público desta semana, o artigo do Sr. Vital Moreira, para termos uma inspiradora opinião sobre a relação carnal entre TGV e a líder do PSD, o FreePort é a dor de cabeça de alguns políticos portugueses, o procurador Pinto Monteiro tem uma oralidade castiça e a psiquiatria é a profissão do futuro para o nosso país.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Finanças Públicas: Evolução e Modelo

Pretendo inaugurar um período reflexivo sobre o modelo de finanças públicas nacionais, a sua evolução, as suas caracteristicas e limitações. Como tal, irei proceder à organização de um debate com esse propósito. Peço por isso neste blogue que me contactem, para trocarmos ideias, e quem queira colaborar, para esboçarmos o trabalho a apresentar no futuro encontro.

sábado, 17 de janeiro de 2009

As causas da decadência dos povos peninsulares

Antero que Quental apresentou o seu mais ilustre discurso na Conferências do Casino (primavera de 1871) em Lisboa. No grupo do Cenáculo, sob a influência das ideias revolucionárias de Proudhon, este grupo passa designar-se como Geração de 70. Falamos de escritores e intelectuais de grande estirpe, algo iluminados ao género tuga que acompanham os ideais vanguardistas da velha Europa.

Daqui sai então o célebre discurso onde Antero de Quental apresenta como principais causa da decadência dos povos peninsulares:
1. A transformação do catolicismo, pelo Concílio de Trento";
2. O estabelecimento do absolutismo, pela ruína das liberdades locais";
3. O desenvolvimento das conquistas longínquas".
Temos portanto uma causa moral, uma outra política, e outra ainda económica.

Em seguida, Antero disseca em profundidade a acção do catolicismo como causa da decadência nacional. Ora vejamos, cerca de 128 anos depois Portugal volta-se para a Europa, abandona as conquistas longínquas e tem estabelecida uma república com democracia . O estado é leigo.

Resta então a discussão do seguinte tema: Qual a realidade presente (estado) dos restantes motivos que levaram os povos peninsulares ao declínio, que são a corrupção e ineficiência das instituições?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Omiliada dos Porcos

Vejam os Porcos a passearem por todo o Mundo à custa do dinheiro do povo, vejam-nos na cama a dormirem com um sorriso nos lábios a escarnecer do Zé Povo, levantam-se de manhã todos engomados, estudam frases bonitas para ludibriar o Povo que já está farto de ser enganado, espoliado e atraiçoado. Porcos de avião, Porcos de limousine, Porcos na televisão, Porcos com comitiva cada vez mais gordos à custa do Povo, Porcos que não vão conhecer a faca mas sim os lucros, a fama, a glória, a ganância, o luxo, tudo à custa do Zé Povo, que na sua ignorância os engorda cada vez mais dando-lhes cada vez mais e mais poder em nome desse Povo martirizado. Porcos que trocam grunhidos como se fossem inimigos e por detrás comem grandes lavagens todos em harmonia, entretendo o Povo com falsas guerras, com o oportunismo, alimentam a corrupção, a desunião, o chauvinismo, enganam e troçam do ideal da Nação, falam em nome do Povo e alimentam o seu património cá e na Suiça à custa desse mesmo Povo inocente cada vez mais pisado, esmagado, acorrentado. Porcos que fazem leis para conveniência dos ricos e martirio dos Pobres, Porcos que sugam o dinheiro ao Povo com impostos mas abrem fugas aos ricos para enriquecerem cada vez mais com esses mesmos impostos, Porcos que põem o grande cada vez maior e o Povo cada vez mais pequeno, Porcos que vivem na alta roda, rodeados de mulheres bonitas e boas de mente pequena e podre, prostitutas de alta sociedade, fartas de rodarem nas alcovas de ministros, magnatas, principes da corrupção. Ícaro Sebastião.

Cardeal Zé Policarpo e os Muçulmanos

O dito Cardeal ao aconselhar as mulheres Portuguesas a não casarem com Muçulmanos cometeu uma atrocidade verbal sem par, isto porquê o dito cujo deve ser conhecedor através do confessionário ao longo dos anos de maus tratos e humilhações por parte de maridos Muçulmanos a mulheres ocidentais mormente Portuguesas, senão em que se justifica para o dizer? Mas será que se vão confessar ou não terão as mesmas de se converterem à prática Muçulmana para casarem e aí estará o Cardeal com medo de perder muitas seguidoras da fé Católica no futuro? Será que a seguir vai aconselhar a não casarem com Negros, com Indianos, Chineses, Budistas, etc? O que tem o mesmo a dizer de milhares de brancos que todos os dias maltratam as mulheres na intimidade do lar chegando ao cúmulo de as matar e desfigurar? A seguir brincou com Alá? Não será o mesmo Deus dele? É tempo de se reflectir um pouco sobre estas afirmações, até porquê o actual Presidente do maior País do Mundo é descendente de Muçulmanos. Penso que para um cargo como o deste senhor, assim como para a frente de qualquer cargo que mereça ponderação, espírito aberto ao progresso e evolução, inteligência, rapidez de raciocínio, etc, (Presidentes de Países, Presidentes de Empresas, de Associações importantes na sociedade, etc) não devem estar pessoas com idades avançadas pois já existem muitos casos no Mundo deste género e já é tempo de acabarem, todos temos de reconhecer as nossa limitações e deixarmos o lugar para os mais novos, senão meus amigos vamos ver muitos mais casos como o deste senhor Zé Policarpo. Ícaro Sebastião.

Sobreendividamento e programa socrático

Noticiou-se que a dívida externa de Portugal representa cerca de 80 % do PIB anual. É alarmante podemos dizer, o sobreendividamento. Dado o descrédito internacional que o país começa a ter, nos próximos empréstimos, a banca exigirá maior juro. E para contrair esta situação, que é que o governo fez??? Nada. Muita propaganda, muita sonolência, muito bocejamento e no fundo poucas medidas com efeitos reais, sentidos, que aconcheguem a população.

A política keynesiana parece a solução para o momento crítico que vivemos. Apostar na modernização de infra-estruturas, é de facto escrupuloso, mas dadas as circunstâncias, talvez fosse necessário repensar a prioridade de projectos como o TGV, pelos menos os troços que estão perspectivados. E urge dar uma resposta. Valores como a solidariedade intergeracional levantam-se, e a necessidade de mostrar em termos reais quais serão os benefícios que a população irá ter, além de um momentâneo aumento do emprego, é necessário evidenciar.

Em termos fiscais, sabemos que o dinheiro injectado irá entrar no circuito económico, será tributado e gerará receita. Contudo essa receita será suficientemente vantajosa que justifique o endividamento??? Lembre-se que os juros exigidos serão maiores, em razão do descrédito que o Estado português, o país começa a ter diante do mundo financeiro internacional. Por outro lado, temos de referir que há inúmeros problemas para solucionar estruturalmente em Portugal, não será obras com dimensão mediática que serão a resposta. Olhemos para o modelo de crescimento económico, pelo menos no que toca ao papel do Estado nos últimos anos, veremos que os resultados obtidos não acrescentam nenhuma fundamentação em termos de efeitos benéficos reais para continuar nas mesmas linhas programáticas de política. Em vez de grandes obras, aumente-se a rede de saneamento básico para a população, organize-se as escolas, aumente-se as condições reais, aposte-se na formação rigorosa dos recursos humanos, aproveite-se as potencialidade do interior com boas obras públicas, redes rodoviárias, combata-se o desperdício e as derrapagens existentes nas obras públicas, reforme-se a justiça, atendendo às mais prestigiadas personalidades do Direito, magistrados e académicos, a torne-se mais eficiente e próxima a justiça do cidadão,promova-se campanhas de sensibilização pública, no trabalho e nas escolas, para elucidar o cidadão à cerca dos problemas reais que vivemos, haja maior rigor e fiscalização no uso dos fundos comunitários. Ou seja, pequenas medidas que fazem sentido, que melhoram a democracia e a confiança do povo restaura-se. Não será com propaganda socrática que isto irá mudar, diminua-se a mentira, a irrealidade, a hipocrisia.

O Sr. Gordon Brown cometeu um erro, com um imposto que criou sobre o povo inglês. O que aconteceu??? Reconheceu publicamente, pediu desculpas. Eu penso que um licenciado por incógnita (i), também o deveria fazer, tem cometido erros, bastantes, nem coragem tem para admitir as más soluções. O Sr. fulano tal, acha que somos néscios??? Acha que gostamos de ser sodomizados, todos??? Haja lucidez, fale menos do povo português, e aja com ética, é um conselho que lhe dou e que rola na rua... Infelizmente, quando vai passear, não o ouve... ou ouve???

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Os políticos, parasitas da sociedade contemporânea (Parte I)

Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.”
Eça de Queirós

O tema de hoje é dedicado à classe mais privilegiada, decadente, iluminada e inoperante da sociedade actual. Confusos! Não é para menos, estes tipo de aristocracia moderna assarapanta até S. Pedro, isto para não dizer o próprio diabo.
Ora vejamos, de onde vêm estes iluminados, entre professores, médicos, advogados, juízes, há de tudo.
Para onde vão? Haaaa… o cerne da questão: para um qualquer tacho que lhes garanta prosperidade.
Quais os seus objectivos, quem vão servir? Nada fazem a não ser dominar as artes da oratória, retórica e demagogia. Servos dos partidos, favorecem interesses colectivos, patrocínios e claro, os seus interesses pessoais. E a populaça? Avançando, já diziam os gregos que a democracia tem como debilidade a condescendente eleição dos débeis e incompetentes.
E já se debruçaram sobre o formato da sua estratificação? Na baixa política, presidentes de junta, na média politica, os vereadores, presidentes de câmara, na alta politica temos os deputados, ministros e por aí acima, pois, e têm corte real, (suporte administrativo).
Quem alimenta esta praga de polirasitas (acabei de inventar o termo)?


Continua…

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A crise e o hábito

Não há volta a dar. Já o próprio Ministro das Finanças admitiu aquilo que já todos prevíamos, Portugal não vai ser excepção, não vai conseguir escapar à crise mundial.

Segundo dados do Banco de Portugal (BdP), o produto português cairá 0.8% em 2009. As causas para esta contracção são a queda acentuada das exportações e do investimento privado. Ora, a economia portuguesa é uma pequena economia aberta, muito dependente das transacções que faz com o exterior. Estando este em recessão, as empresas portuguesas venderão menos lá para fora. Por consequência, a produção cairá, cortar-se-á nos custos variáveis, tais como os custos com pessoal (em duas palavras: despedimentos e desemprego) e gerar-sé-á, neste contexto, um clima de grande incerteza que diminuiu o investimento. Em linhas muito gerais, eis o esquema da crise económica portuguesa.
Relativamente às famílias, nem tudo são más notícias. O espectro do desemprego, conjuga-se com um aumento do rendimento disponível este ano, causado pela diminuição da taxa de juro do crédito à habitação e, principalmente, pela reduzida taxa de inflação da zona euro, derivada da diminuição do preço de petróleo.
Estes dias, ouvi um comentador a referir que os portugueses já estão habituados a crises económicas, aliás que eram o único povo da Europa que há 8 anos num clima economicamente adverso. Deixou-me a reflectir.
Reporto-me aos últimos anos. A crise que se vive hoje em dia, é de dimensão e carácter muito distinto da que se vivia há cinco anos atrás, por exemplo, no tempo de Manuela Ferreira Leite e Durão Barroso. Essa tinha um carácter orçamental, de excesso de défice, em que os portugueses "tinham de apertar o cinto", uma crise de cariz interno. A que se sente hoje em dia, é diferente, nova e global que afecta tudo e todos. Atinge mais directamente o emprego do que o bolso das famílias (já que a inflação está em minimos históricos), e o governo não pode fazer mais que receitar medicamentos, permitam-me a metáfora, tais como redução da carga fiscal, incentivos à industria automóvel, construção civil e pequenas e médias empresas, sectores vitais na economia, e visto que somos muito dependentes dos nossos parceiros comerciais, diminuir o peso das exportações e esperar que também eles recuperem da crise, o que não será a curto prazo.

sábado, 3 de janeiro de 2009

O choque de civilizações (Samuel Huntington) - comentário crítico.

O livro de Samuel Huntington gerou uma das maiores controvérsias debatidas na actualidade. Foram escritos rios de tinta acerca desta obra, muitos foram aqueles que se insurgiram contra a tese base da obra, no entanto não podemos ignorar que “O Choque de Civilizações e a Mudança na Ordem Global” foi uma das obras que marcaram o último quartel do século XX.

Julgamos que esta é a obra indicada para procedermos à elaboração de uma recensão acerca do tema.do choque de civilizações. O livro de Huntington encontra-se dividido em 5 grandes partes, iremos desenvolver a recensão essencialmente a partir da primeira e da última parte visto que são aquelas que consideramos mais úteis e significativas para o desenvolver do nosso trabalho.

A recensão será dividida em três partes: a primeira parte abordará o mundo e as grandes civilizações, a segunda parte constituirá uma reflexão acerca do futuro das civilizações, finalmente a terceira e última parte constituirá uma referência às criticas mais significativas ao livro de Huntington e uma opinião pessoal fazendo um apanhado de toda a controvérsia.

1. Que mundo? O que é uma civilização? O que é a guerra? Estas são algumas das questões que o livro “O Choque de Civilizações” tenta responder. Tentaremos ao longo desta curta e sucinta dissertação demonstrar até que ponto é que o fim da Guerra-fria provocou a mutação dos Estados mundiais.

No seu livro, Huntington concebe primeiramente uma série de conceitos para que possamos compreender melhor o teor da obra. O autor fala-nos da progressiva queda do peso da civilização ocidental e do surgimento de uma civilização em particular que promete gerar um equilíbrio de poderes no mundo: a civilização asiática tendo à cabeça três colossos económicos: o Japão, a China e a Índia. Existe também o conceito de cooperação entre sociedades que tenham algum tipo de afinidades culturais, ou seja, o agrupamento de países em Estados núcleo que, em última análise, vai provocar uma estreita cooperação entre culturas semelhantes. Outra das noções não menos importante que as anteriores é a agressão que o ocidente impõem às restantes civilizações com as suas pretensões universalistas. É importante compreender que estas pretensões criam inevitavelmente conflitos com outras culturas e civilizações. A imposição da cultura ocidental nem sempre é aceite. São estas as traves mestras pelas quais Huntington tenta guiar-se na explicação da sua tese que consiste basicamente em demonstrar que assistimos na actualidade a uma enorme tensão não entre blocos políticos (como aconteceu na Guerra Fria) mas sim em diversos blocos civilizacionais.

Huntington partilha da teoria de Vaclav Havel de que os conflitos culturais podem tomar dimensões alarmantes e hoje serem mais perigosos do que em qualquer outra época da história. Os pressupostos de cariz filosófico, as relações sociais, os costumes culturais e o modo de encarar a vida diferem significativamente entre as civilizações. O fosso é agravado com a revitalização que a religião está a tomar em grande parte das civilizações.

O autor sustenta a necessidade do ocidente “proteger” os seus interesses face às restantes civilizações. A auto protecção do ocidente por sua vez vai fazer com que algumas sociedades se alinhem em seu torno, já outras como é o caso da sociedade Islâmica, vão procurar balançar esta hegemonia do ocidente procedendo ao armamento assim como tentarão também expandir a sua influencia militar. Estão assim criadas as condições para um clima de enorme tensão entre as civilizações, o referido “Choque” que o título nos sugere.

Com o fim da Guerra-fria propagandeou-se a harmonia mundial, segundo muitos finalmente existira um mundo em harmonia. Esta concepção levou mesmo a que investigadores como Fukuyama argumentassem que o fim da História tinha chegado. No entanto as perspectivas de Fukuyama não foram cumpridas. Grande parte dos conflitos pós Guerra-fria desenrolaram-se na Europa. O velho continente foi palco de inúmeros conflitos que vieram provar que o fim da História era uma teoria completamente utópica. Com o fim da Guerra-fria é certo que existiram mudanças, no entanto, essas mudanças não são sinónimo de pacifismo. Com o fim dos grandes conflitos geralmente pensa-se no fim de todas as formas de conflito, no entanto isso nunca vem realmente a acontecer. Os conflitos que hoje vivemos são sobretudo impulsionados por diferenças culturais, económicas e sociais. Podemos mesmo dividir o mundo em duas partes: os países desenvolvidos e os países em vias de desenvolvimento. Existe um clima de tensão entre estes dois blocos que pode originar conflitos em grande escala. Uma das soluções encontradas para evitar este tipo de conflitos é a subjugação dos países em vias de desenvolvimento aos desenvolvidos. Assim decorreu durante séculos até às guerras pela descolonização que convergiram na independência das ex-colónias, no entanto esses conflitos foram substituídos por guerras entre os povos libertados. Já os países com forte poder económico travam entre si “guerras económicas”. Os conflitos entre países ricos e pobres são tão improváveis como um mundo harmonioso, já que ambos vivem realidades completamente diferentes.

O mundo não pode ser simultaneamente uno e estar dividido em Este e Oeste ou Norte e Sul. O autor optou assim por dividir o mundo em sete grandes civilizações: a ocidental, a latino-americana, africana, islâmica, sínica, hindu, ortodoxa, budista e japonesa. Esta divisão fornece-nos uma estrutura bastante inteligível e permite-nos separar o importante do acessório. Assim este novo paradigma de divisão lançado por Huntington pressupõe que: as forças de integração no mundo sejam mais reais e equilibrem as tendências conducentes à afirmação cultural e à consciência civilizacional, pressupõe também o mundo é dual no entanto tendo o ocidente como civilização dominante assim como a crescente importância dos Estados-nação por último o autor fala de um mundo anárquico cheio de conflitos tribais, no entanto os conflitos mais perigosos surgem entre diferentes civilizações. Este paradigma civilizacional fornece-nos assim um mapa simples para compreendermos a geografia política em finais do século XX. Após a Guerra-fria o modelo da política mundial foi profundamente alterado. Verificou-se que após a Guerra-fria existiu uma enorme proliferação de conflitos entre diferentes grupos civilizacionais, o que levou à tentativa de imposição de paz por parte dos grandes líderes mundiais.

2. Após a apresentação desta nova era na política global, passaremos compreender a relação do ocidente com as restantes civilizações. Neste momento o ocidente é sem sombra de dúvida a civilização dominante. No entanto todas as civilizações conheceram após o seu auge um fim, exemplo disso são civilizações como o Império Romano, o Mongol ou o Otomano. A grande questão que Huntington levanta é tentar saber até que ponto a nossa civilização conhecerá ou não esse fim. O autor sustenta que acaba por ser legítimo que se pense que o ocidente será a “eterna civilização dominante”, muitos europeus e americanos deverão pensar que a civilização ocidental já mais perderá o seu poder para qualquer outra civilização, no entanto era isso mesmo que pensavam os povos cujas suas grandes civilizações acabaram (também elas) por serem destruídas. Temos que ter igualmente noção que o ocidente deu origem a processos de modernização e industrialização que se espalharam por todo o globo o que fez com que as restantes sociedades competissem com o ocidente para tentarem chegar ao seu patamar.

A questão que Huntington coloca é se estes processos de modernização e industrialização poderão por si só serem usados para podermos com toda a certeza afirmar que o futuro do ocidente não será igual ao das civilizações antecessoras. A História tem vindo a demonstrar que o processo de desenvolvimento do ocidente tem vindo a evoluir como as civilizações que o antecederam. Poderá isto querer dizer que o futuro do ocidente será inevitavelmente a queda como civilização. O ressurgimento de civilizações como a asiática ou a islâmica são disso mesmo exemplo. O ocidente presentemente encontra-se já numa fase de queda, assim sendo as civilizações concorrentes do ocidente representam uma ameaça. Assim sendo a possibilidade de haver uma guerra entre o ocidente e os estados-núcleos de outras civilizações não é inevitável mas em ultima análise pode mesmo vir a acontecer. Outra das hipóteses propostas para a queda do ocidente seria a progressiva queda desta civilização nas próximas décadas ou até mesmo séculos, esta parece-nos a perspectiva mas realista das diversas teorias sobre a queda da civilização ocidental.

Carroll Quigley dividiu o crescimento da civilização ocidental em sete fazes: a primeira fase foi quando o ocidente começou a ganhar forma entre os anos 350 e 750, o período de gestação registou-se em meados do século VIII, este período foi seguido de movimentos em frente e para a retaguarda entre fases de expansão e conflito. Segundo Quigley, o ocidente está a sair de uma fase conflitual, assim grandes conflitos internos são praticamente impensáveis. O ocidente está nesta fase a desenvolver o equivalente a um Império Universal sob a forma de um sistema altamente complexo de instituições. Desta forma o ocidente tornou-se uma civilização adulta, tendo entrado na idade do ouro, um período de paz resultante da inexistência de conflitos no seio da própria civilização. Nas civilizações anteriores à ocidental esta fase de ouro terminou de forma repentina ou lentamente, no entanto o que importa realçar é que logo após a idade de ouro todas as civilizações conhecem a “idade das trevas” ou seja um período de decadência que em última análise desemboca com o fim da própria civilização. Segundo a teoria de Quigley, as civilizações desenvolvem-se porque dispõem de um instrumento de expansão que é a sua própria organização política religiosa e militar. Quando as civilizações param com a aplicação dos excedentes em novas formas de fazer as coisas entram num processo de declínio. Após a decadência da civilização assistimos à fase de invasão, ou seja, quando a civilização já não tem capacidade de defesa e deixa os “Bárbaros” provenientes de uma civilização mais jovem e mais forte que apoderarem-se das suas estruturas. No entanto esta perspectiva apocalíptica da civilização ocidental tem algumas reticências, visto que muitas coisas são possíveis mas nenhumas inevitáveis.

Apesar de todas as civilizações terem passado por processos de queda idênticos não podemos efectuar uma teoria que seja comum a todas as civilizações que antecederam a ocidental. Cada civilização tem um motivo específico para o seu fim, na maioria das vezes um motivo interno que leva à queda da mesma. Não podemos considerar que as civilizações têm um prazo de validade. O ocidente continua a crescer economicamente (não tanto como nas civilizações emergentes) cada vez mais existem melhores condições de vida nas sociedades ocidentais no entanto a natalidade está a passar por uma fase negra. No entanto a baixa da natalidade não seria grande problema visto que se poderia sempre recorrer à imigração, desde que fosse uma imigração que comportasse pessoas capazes e que os imigrantes adoptassem a base da cultura do ocidente. Os problemas do declínio da identidade moral, cultural e civilizacional são bem mais gravosos que os problemas económicos ou políticos. É importante enumerar alguns factores que contribuem para manifestações de declínio da moral:

· Aumento de comportamentos anti-sociais com crimes, droga, violência…

· Declínio da importância da família: taxas de divórcio, gravidezes de menores, famílias mono parentais.

· Diminuição do capital social.

· Enfraquecimento geral da ética do trabalho.

· Menor empenhamento no saber e na actividade intelectual.

A sobrevivência do ocidente enquanto sociedade depende em muito do combate a estes recorrentes comportamentos do declínio da moral.

A cultura ocidental é contestada por grupos dentro da própria sociedade ocidental, normalmente esses grupos são compostos por imigrantes que rejeitam taxativamente a assimilação de uma nova cultura. Um bom exemplo disso mesmo é o dos muçulmanos na Europa ou dos hispânicos nos Estados Unidos. Esta recusa de assimilação de culturas por parte dos imigrantes pode fazer com que as sociedades se dividam e, em última análise pode gerar diversos conflitos de carácter social. Esta tendência de tornar as sociedades cada vez mais multi-culturalistas pode trazer grandes problemas no futuro se as sociedades não estiverem preparadas para lidarem com estes fenómenos. Segundo Huntington não são as sociedades que têm obrigação de se adaptarem aos imigrantes mas sim os imigrantes que têm obrigação de se adaptarem à sociedade em que se inserem. O fim de uma civilização pode ser uma realidade quando esta tentar adaptar-se aos povos integrantes da mesma.

3. O livro de Samuel Huntington constitui uma boa fonte de estudo para a geopolítica actual visto que ainda mantém uma certa actualidade, no entanto não podemos tomar tudo o que está escrito no “Choque de Civilizações” como verdade absoluta. Muitas são as críticas efectuadas à obra, críticas essas que nos colocam ainda mais questões sobre esta enorme controvérsia. Alguns dos críticos mais ferozes de Huntington defendem que o objectivo da obra é não mais que desviar a atenção do verdadeiro problema da guerra de expansão imperialista encabeçada pelos sucessivos governo americanos. Trata-se de uma grande quantidade de análises, da construção de uma nova ordem mundial sustentada na hegemonia dos Estados Unidos, no mais velho estilo imperialista. Ou seja, pelo domínio de matérias-primas estratégicas e de mercados para vencer os seus competidores, principalmente a União Europeia, que hoje é o principal obstáculo aos grandes capitais estadunidenses para estenderem-se a todo o mundo. Japão, China e Rússia, separadamente, ainda não são obstáculos. O 11 de Setembro foi um ponto de viragem importante na tentativa de afirmação de políticas imperialistas americanas, visto que a administração Bush quase que impôs aos Estados europeus que se aliassem à América na luta contra o terrorismo. A teoria de muitos críticos de “dividir para reinar” é uma das críticas mais fortes a Huntington e consequentemente aos Estados Unidos. Muitos crêem que o “Choque de Civilizações” é não mais que uma tentativa de disfarçar e legitimar o imperialismo norte-americanos e grande parte das suas políticas.

Aplaudido por uns, vaiado por outros, o certo é que a obra de Huntington foi um forte contributo para o renascer do debate acerca das grandes problemáticas dos diferentes povos e da sua coexistência no mundo. Na nossa perspectiva a problemática do choque de civilizações é muito mais que uma questão meramente religiosa ou até mesmo civilizacional, é acima de tudo uma questão económica e política. Grandes potências mundiais têm usado o terrorismo e o conflito entre civilizações como pretexto para instigarem guerras em diversas partes do globo, no entanto as motivações desses conflitos são acima de tudo económicas e políticas.


André RochA.