sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Os políticos, parasitas da sociedade contemporânea (Parte I)

Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.”
Eça de Queirós

O tema de hoje é dedicado à classe mais privilegiada, decadente, iluminada e inoperante da sociedade actual. Confusos! Não é para menos, estes tipo de aristocracia moderna assarapanta até S. Pedro, isto para não dizer o próprio diabo.
Ora vejamos, de onde vêm estes iluminados, entre professores, médicos, advogados, juízes, há de tudo.
Para onde vão? Haaaa… o cerne da questão: para um qualquer tacho que lhes garanta prosperidade.
Quais os seus objectivos, quem vão servir? Nada fazem a não ser dominar as artes da oratória, retórica e demagogia. Servos dos partidos, favorecem interesses colectivos, patrocínios e claro, os seus interesses pessoais. E a populaça? Avançando, já diziam os gregos que a democracia tem como debilidade a condescendente eleição dos débeis e incompetentes.
E já se debruçaram sobre o formato da sua estratificação? Na baixa política, presidentes de junta, na média politica, os vereadores, presidentes de câmara, na alta politica temos os deputados, ministros e por aí acima, pois, e têm corte real, (suporte administrativo).
Quem alimenta esta praga de polirasitas (acabei de inventar o termo)?


Continua…

3 comentários:

Carlos Vinagre disse...

"Polirasitas" é um neologismo muito interessante. O Eça de Queiroz era sábio nessa arte, ficou esplendido a sua utilização.

É um curso de honra. Primeiro uma jota, associações, depois câmaras ou parlamento, e tentar por fim alcaçar um executivo. Há para todos os paladares.

É curioso reparar que o ensino do fenómeno "jurídico", muitas vezes carregado de elevadíssimos conceitos, de tão abstractos que são, em nada tenta despertar o vínculo entre futuro jurista e o sentimento de uma missão superior, de cuidar do bem-estar social, de prossecussão de fins equitativamente justos, exagero esta expressão com dois termos aparentemente sinónimos! Limita-se a inculcar um saber memorizado, retalhado para exame e para fins práticos, que auxilie a busca de mérito económico-social, e despertar a sensibilidade na inteligência, nada! Claro que se fala abstractamente de conceitos, mas vincular a alma a um percurso, nada. Pelo menos nunca me despertou, limitamo-nos a aceitar a ordem estabelecida. Claro que defender a alteração, o bafejamento da política, é em si mesmo, materialmente, renovação do espírito da ordem estabelecida, formalmente ainda assentada. Simplesmente, aceitamos o princípio efectivo de renovação geracional, de substituição do "tachismo" por uma ordem real de meritocracia. E não é uma meritocracia por mediatismo, só por se ocupar grandes cargos, antes uma meritocracia verdadeira, onde o trabalho, o empenhamento existam realmente.

Anónimo disse...

O comentário do Carlos Vinagre é por si só, já uma excelente continuação a este "Os políticos, parasitas da sociedade contemporânea (Parte I)"... Tenho a acrescentar que nesta caminhada de Poliparasitas, faltou falar no suprasumo que é o Presidente da República, que de tantas e tão tamanhas competências, em efectividade tem poucas ou nenhumas, e aufere sempre menos que os Ministros do governo em questão. Salva-se este por ser Economista e ter já o seu pé de meia, caso contrário andaria também agora a pedir aumento de remuneração.
Em relação ao "tachismo"... tenho a dizer-te Carlos Vinagre, que um dia, no sabor da minha juventude por parcos meses pertenci a uma coisa chamada PSD (no ido ano de 1992 da Graça do Senhor) e foi pela falta de graça de um senhor qualquer (qualquer sim, pois não é mais do que eu, ou de que tu, ou de qualquer ser humano que conheço, por mais miserável que seja) que findei as minhas ligações, com esse grupo de "tachists". Posso dizê-lo aqui, e sem qualquer tipo de vaidade, que entreguei uma lista por merecimento... mas que depois de ser eleita, era o mesmo que um "vendedor", queriam obrigar-me a vender o banho da cobra à minha junta de freguesia, em prol de colocarem-me também no Jornal lá da santa terrinha. Pois bem, aqui estou eu: uma zé-nnguém, mas de consciência tranquila com os meus conterrâneos. E eles duraram pouco na Junta, posso mesmo dizer que teve que existir segundas eleições, onde foi eleito um Presidente que tinha apenas a 4ª classe e era reformado dos CTT (pertencia ao CDS, hoje PP)... e ainda bem... temos escolas primárias em todas as localidades, temos duas farmácias, temos dois postos médicos, temos transportes públicos a passar em zonas, conhecidas como caminhos de vacas... (Sou de uma zona muito pobre mesmo... onde ainda há gente que compra farinha ao padeiro, e não sabe o que é comprar 1Kg de arroz...)...
E fico-me por aqui, porque e isto é um aparte, se há alguém que não suporta os Políticos actuais sou eu. E de há alguns anos a esta parte, venho sendo apelidada de alguns nomes non gratos...
Mas sou livre, e gostaria que todos fossemos... e aqueles que detêm o poder gostava que sentissem na pele as fraquezas, e as necessidades, para que efectivamente pusessem em práctica os discursos eleitorais.

Rocha, André disse...

Até quando teremos uma sociedade formatada neste parâmetros? Sinceramente não sei. Julgo que a classe política não é apenas privilegiada em Portugal, infelizmente é um fenómeno que se estende a todo o mundo. Existe uma espécie de "Cursos Honorum" que leva ao topo não aqueles que têm mais capacidades mas sim aqueles que movem mais influências. Pessoas incapazes em cargos importantíssimos da política só porque eram filhos de "A" ou de "B". Esse tachismo infelizmente não vê termo à vista e é certamente um factor redutor para o desenvolvimento de uma sociedade que se quer justa e igualitária.