sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

"Quem telhados de vidro, que não atire a primeira pedra"

Os últimos dias têm sido pródigos em más notícias, latentes com o pessimismo que se tem abatido, justificadamente, sobre a sociedade.
Os indicadores são para todos os gostos: os mínimos dos índices de confiança dos empresários e famílias, as falências, prejuízos (ou para os mais optimistas redução de lucros), as dificuldades de acesso ao crédito por particulares e empresas, o abrandamento exagerado da inflação, os processos por suspeita de manipulação de marcado e o mais terrível de todos: o desemprego.
A nível político, a cada dia que passa surgem novos casos de trafulhices envolvendo governantes e empresas públicas, nas mais diversas áreas e ramos de actividade.
Mas há sempre quem goste de nos divertir, como por exemplo a líder do maior partido da oposição que jamais faltaria a uma Cimeira Europeia ... nem com 40º de febre !!!
Surpreendente o extraordinário espírito de sacrifício da Dra. Manuela Ferreira Leite (MFL), que, se bem me recordo, durante a campanha para a presidência do PSD, largou tudo para ir a correr para Londres assistir ao nascimento do neto!
São situações diferentes, mas podemos comparar.
Por um lado, a cimeira a que ela se refere é de carácter informal, mas num período extremamente delicado e de definições em termos mundiais. A presença do Primeiro Ministro português não é muito relevante, antes a do Ministro das Finanças, pois muitas das medidas para combater a crise em Portugal passam pelo departamento dele (mas mesmo assim, a sua presença é de interesse nacional). Por outro lado, quando MFL foi para Londres, pôs os seus interesses à frente dos do partido e, se formos mais radicais, do país, pois estava em causa o nome do futuro candidato a Primeiro Ministro. Neste caso, não era uma questão de saúde, antes familiar.
Tudo isto se resume a "Quem telhados de vidro, que não atire a 1ª pedra"

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A TV QUE REFLECTE O ESTADO DO PAÍS

Durante a transmissão do jogo de futebol entre o FCP e o RIO AVE ontem dia 15-02-2009 efectuada pela RTP1, faltando cerca de 5 minutos para o términos do mesmo, a transmissão foi abaixo, ficando os telespectadores sem saberem o resultado final. Até àquele momento estava o jogo 2 a 1 a favor do FCP. Veio-se a saber muito mais tarde através da net que o jogo acabou 3 a 1 a favor do FCP. O surreal e insólito disto tudo é que a RTP continuou a transmissão depois do jogo acabar sem nunca divulgar o resultado final do jogo nem pedir desculpas pelo que aconteceu. Longe vão os tempos da chamada ditadura onde quando acontecia uma falha de transmissão a reponham no mesmo sítio com um pedido de desculpas aos telespectadores. Um mesmo senhor que trabalha na RTP1 num programa da manhã e que começou a servir cafés durante o mesmo programa, sendo agora apresentador, disse a um elemento da Banda Rock "Os Templários do Rock" que não sabia quem eles eram (o que é estranho visto terem ido à TVI e à SIC nos programas de maior audiência a nível Nacional) e que tinham de tentar muitas vezes para irem à RTP. Eu pergunto se esse senhor tentou muitas vezes deixar de servir cafés e passar a apresentador e se a RTP não vê o que se passa nos outros canais? É por estes motivos e muitos outros que têm o nível de audiência que têm, depois não se podem queixar, será que só levam lá quem diz bem do Governo? Que televisão isenta é esta? O mesmo se pode dizer do Jornal de Notícias que parece que desconhecem ou ignoram totalmente os TR pois fazem publicidade a tantas bandas Rock e Pimbas dando-lhes páginas inteiras e só aos TR é que não chegando a pedir 500 euros para um anúncio do tamanho de uma celebração fúnebre. Parece denotar-se uma certa conivência entre a RTP e o JN ou será impressão minha? Deixo esta dúvida para reflectirem sobre a mesma e tirarem as conclusões que quiserem.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

É uma vergonha, num país civilizado, que se diz com um Estado Social, a existência de cidadãos, vítimas de cancro, em tratamento, trabalhadores na indústria, com "baixa", a receber a mensalidade de 200 euros por mês. Não se admite, não é passível de desculpa, é inaceitável. Conhecendo casos, não consigo me manter calado. E o que mais me aflige, é o reduzido número de pessoas que até agora contactei, que se dedique a retratar, a divulgar estes casos, a formar opinião. E o que mais me chateia, é com tantos problemas gravíssimos como este, tanta injustiça existente, concentrarmos a nossa atenção ou energia em futilidades. E admito, admito que eu faço parte desse género de pessoas, que por vezes caem na futilidade intelectual. Há vários tipos de futilidades, mas se calhar não é futilidade, é importante para saborearmos a vida. Desde que haja meio-termo, é possível se aceitar esse tipo de conduta. Não temos culpa das injustiças existentes, temos direito a viver as nossas futilidade, que no fundo são as nossas fogueiras, mas não fechemos os olhos demasiado, não nos escondamos, com medo que a consciência se erga feito fantasma e bata à porta da nossa casa.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

ATÉ ONDE VAI A HIPOCRISIA HUMANA

Estranho que o actual Presidente da Câmara de Lisboa, o sr António Costa, que já foi Ministro da Administração Interna e por conseguinte Comandante da PSP, tenha estado presente na festa dos Xutos e Pontapés. Estranho não por lá ter estado mas pela atitude pois como todos sabemos o passado dos mesmos, através deles próprios denotando até coragem e atitude, não se compreende como pode um Chefe Supremo de uma corporação estar tão aberto ao Rock e aos tempos modernos e a sua corporação tão retrogada quanto ao mesmo Rock e aos tempos de hoje, chegando ao ponto de perseguirem silenciosamente e sorrateiramente os Templários do Rock, que como todos sabemos são agentes da PSP. A mesma corporação tudo faz para que os mesmos desistam não lhes facilitando nem um bocado a vida, o que piorou depois de os músicos terem ido às TVs (TVI e SIC). Mas nada é de estranhar neste País pois os mesmos Xutos também já foram condecorados por um Presidente da República e embora tenha a minha opinião sobre as condecorações (devem ser entregues a quem comete actos de extrema coragem, salvem imensas vidas humanas, cometam feitos de alto relevo Nacional que se transportam por si próprios para o Mundo, etc), note-se que não estou contra ou a favor agora o que deve haver é imparcialidade, não se pode ser benevolente para uns e um tirano para outros, ou comem todos ou não come ninguém. Acabem com a hipocrisia um dos maiores males deste País. Ícaro Sebastião.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

WEF - Conclusão (Parte V)

Chegou ao fim o WEF (World Economic Forum) e algumas conclusões podem ser tomadas. Vou apenas trazer as que considerei mais importantes.
Este Fórum habitualmente composto pela elite financeira e empresarial deu lugar à elite governativa mundial, num ambiente de sobriedade, humildade, preocupação e busca de soluções. Nele foram identificadas as principais causas da crise: a desregulação do mercado financeiro americano, cujas consequências se alastraram a todas as economias. Ficou implícita a ruína do velho modelo liberal, assente na mão invisível do mercado. Este falhou e o planeta vive uma dolorosa crise. O Estado é chamado a intervir e neste âmbito, os lideres mundiais foram claros ao assumir que deve haver um ponto óptimo na sua acção (o chamado "nem oito nem oitenta"). Desta forma as palavras chave para os próximos anos são: REGULAÇÃO e COOPERAÇÃO. Estas são as premissas para o modelo económico mundial, depois do frustração do Liberalismo.
Como seria de esperar outros temas foram discutidos, mas sem avanços relevantes.
Resolvi aprofundar este tema para perceber melhor esta recessão que muitos consideram ser a pior depois da de 1929. Saber qual o ponto de vista dos governantes e respectivas soluções, numa altura em que a nível mundial se houve diariamente milhares de despedimentos e indicadores de crise económica.

WEF - Cooperação e proteccionismo (parte IV)

As personalidades influentes mundiais foram discutindo o futuro do mundo e da sua economia. Durão Barroso, Gordon Brown, Ângela Merkel e Bill Gates já deram o seu contributo, acentuando todos a mesma tónica: a cooperação entre todos.
Durão Barroso, responsável máximo europeu (presidente da Comissão Europeia) tem uma frase que é bastante elucidativa: "Ou nadamos juntos, ou afundamos juntos". De facto vivemos numa era de globalização, em que há uma grande interdependência mundial, o que está à vista na extensão desta crise. Daí que os lideres europeus apelem ao trabalho conjunto e à paz entre todos os povos na resolução de problemas que atingem todos. As suas intervenções também ficaram marcadas pelas inevitáveis críticas à regulação deficiente do mercado financeiro.
Barroso aproveitou também para apelar à coesão europeia no sentido de haver mais coordenação, mas este é e será sempre um desafio difícil de ultrapassar, apesar de desta vez, o mal ser geral. O problema passa pela heterogeneidade dos diferentes países europeus. A situação económica entre eles é diferente, há uns piores que outros e há medidas que agradam mais uns que aos restantes, sendo muito difícil arranjar consenso. Brown, por seu lado, tornou a apelar à inter ajuda mundial. Bill Gates, o homem mais rico do mundo, não acrescentou nada de novo, pedindo para que as ajudas aos países em desenvolvimento não parem. Já Ângela Merkel defende a criação de um Conselho Económico no seio da ONU, para uma melhor coordenação entre os países e mais e melhor regulação.
No entanto, o tema mais discutido nas últimas horas do encontro foi a evitação de medidas proteccionistas, que já foram implantadas por algumas economias: indiana, russa e europeia. Essas medidas visam restringir o volume de importações, protegendo a produção e emprego no país e passam pelo agravamento de tarifas, restrições quantitativas ou subsídios e não são consensuais entre as nações. Para as economias em desenvolvimento, muito dependentes do exterior podem ser prejudiciais.
Em 2001, assinou-se, em Doha, um acordo, no âmbito da OMC que previa, em termos gerais, a liberalização das trocas, muito favorável às economias subdesenvolvidas que viam as fronteiras dos países do Norte abertas às suas mercadorias. Do dizer ao fazer vai uma grande distância e oito anos depois o processo está muito atrasado. Ora, esta reunião serviu para trazer o assunto, muito reivindicado, para cima de mesa e tornamos a ouvir promessas, que não devem passar disso, de evitação de politicas proteccionistas, mas a verdade é que estas já começaram a ser tomadas...
Outros temas foram discutidos, tais como a falta de água potável a longo prazo, as mudanças climáticas ou a luta contra doenças como a malária.
Contudo, nem tudo correu bem neste Fórum, houve uma discussão acalorada entre os lideres da Turquia e Israel, o que vem provar que não há paz duradoura no Mundo, principalmente no que toca a questões delicadas como a vivida no Médio Oriente.

Blowin`in The Wind: Human Rights














How many roads must a man walk down,
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail,
Before she sleeps in the sand?
Yes and how many times must cannonballs fly,
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

Yes and how many years can a mountain exist,
Before it's washed to the seas (sea)
Yes and how many years can some people exist,
Before they're allowed to be free?
Yes and how many times can a man turn his head,
Pretend that he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Yes and how many times must a man look up,
Before he can see the sky?
Yes and how many ears must one man have,
Before he can hear people cry?
Yes and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind


Bob Dylan, Blowin' In The Wind

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Dos Direitos Humanos...

Até que ponto poderemos nós, Homens deste planeta falar de direitos humanos? Sabemos que, no mundo que habitamos, existem duas realidades distintas. O tão falado fosso entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento aumenta drasticamente de dia para dia.

Nos dias que correm, grande parte dos países desenvolvidos respeitam (teoricamente) os chamados direitos humanos de primeira ordem como por exemplo o direito à vida, ao voto, à igualdade etc. Assim sendo as sociedades foram implementando progressivamente aquilo a que se chama vulgarmente de direitos humanos de segunda ordem como por exemplo o direito ao emprego, à reforma, à saúde etc.

Julgo portanto que os países ditos desenvolvidos têm vindo a ter a tendência de massificar os direitos básicos do Homem de uma forma tão excessiva que podemos constatar que, nos dias que correm, existem já os chamados direitos humanos de terceira ordem como por exemplo o direito à cultura, ao lazer, à cidadania ou até mesmo à bioética. Diria mesmo que (numa perspectiva mais radical) assistimos a uma profunda banalização dos direitos do Homem, banalização essa que nos leva a esquecermo-nos da primeira grande ordem de direitos humanos. O sistema em que vivemos tem vindo a construir esse mesmo processo de banalização para acentuar cada vez mais o fosso entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. A consciência humana dos países do hemisfério norte tem vindo a ser totalmente moldada por uma máquina a que vulgarmente chamamos de capitalismo mas que ninguém sabe realmente o que é. Esse inimigo sem rosto que aos poucos vai impondo-nos uma ditadura económica, é sempre e a todo o momento o grande impulsionador desta falta de consciência de que todos nós temos sido alvos fáceis.

É necessário pois que não nos esqueçamos dos grandes problemas da humanidade e esses, não estão entre nós mas sim no hemisfério abaixo. É importante que, como cidadãos responsáveis, tomemos consciência da necessidade de mudar mentes para que dessa forma possamos travar este sistema descontrolado que nos vai retirando todas as liberdades por nós conquistadas.

Freeport Daily

Sobre o caso Freeport que tem abanado o país, e para não se dizer que a imprensa cá é pouco neutra, para se esclarecerem em relação ao que por lá se diz do caso, visitem: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1133106/Edward-Sophie-Portugals-PM--4m-corruption-row-giant-mall-built-British-firm.html.