Até que ponto poderemos nós, Homens deste planeta falar de direitos humanos? Sabemos que, no mundo que habitamos, existem duas realidades distintas. O tão falado fosso entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento aumenta drasticamente de dia para dia.
Nos dias que correm, grande parte dos países desenvolvidos respeitam (teoricamente) os chamados direitos humanos de primeira ordem como por exemplo o direito à vida, ao voto, à igualdade etc. Assim sendo as sociedades foram implementando progressivamente aquilo a que se chama vulgarmente de direitos humanos de segunda ordem como por exemplo o direito ao emprego, à reforma, à saúde etc.
Julgo portanto que os países ditos desenvolvidos têm vindo a ter a tendência de massificar os direitos básicos do Homem de uma forma tão excessiva que podemos constatar que, nos dias que correm, existem já os chamados direitos humanos de terceira ordem como por exemplo o direito à cultura, ao lazer, à cidadania ou até mesmo à bioética. Diria mesmo que (numa perspectiva mais radical) assistimos a uma profunda banalização dos direitos do Homem, banalização essa que nos leva a esquecermo-nos da primeira grande ordem de direitos humanos. O sistema em que vivemos tem vindo a construir esse mesmo processo de banalização para acentuar cada vez mais o fosso entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. A consciência humana dos países do hemisfério norte tem vindo a ser totalmente moldada por uma máquina a que vulgarmente chamamos de capitalismo mas que ninguém sabe realmente o que é. Esse inimigo sem rosto que aos poucos vai impondo-nos uma ditadura económica, é sempre e a todo o momento o grande impulsionador desta falta de consciência de que todos nós temos sido alvos fáceis.
É necessário pois que não nos esqueçamos dos grandes problemas da humanidade e esses, não estão entre nós mas sim no hemisfério abaixo. É importante que, como cidadãos responsáveis, tomemos consciência da necessidade de mudar mentes para que dessa forma possamos travar este sistema descontrolado que nos vai retirando todas as liberdades por nós conquistadas.

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