quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A crise e o hábito

Não há volta a dar. Já o próprio Ministro das Finanças admitiu aquilo que já todos prevíamos, Portugal não vai ser excepção, não vai conseguir escapar à crise mundial.

Segundo dados do Banco de Portugal (BdP), o produto português cairá 0.8% em 2009. As causas para esta contracção são a queda acentuada das exportações e do investimento privado. Ora, a economia portuguesa é uma pequena economia aberta, muito dependente das transacções que faz com o exterior. Estando este em recessão, as empresas portuguesas venderão menos lá para fora. Por consequência, a produção cairá, cortar-se-á nos custos variáveis, tais como os custos com pessoal (em duas palavras: despedimentos e desemprego) e gerar-sé-á, neste contexto, um clima de grande incerteza que diminuiu o investimento. Em linhas muito gerais, eis o esquema da crise económica portuguesa.
Relativamente às famílias, nem tudo são más notícias. O espectro do desemprego, conjuga-se com um aumento do rendimento disponível este ano, causado pela diminuição da taxa de juro do crédito à habitação e, principalmente, pela reduzida taxa de inflação da zona euro, derivada da diminuição do preço de petróleo.
Estes dias, ouvi um comentador a referir que os portugueses já estão habituados a crises económicas, aliás que eram o único povo da Europa que há 8 anos num clima economicamente adverso. Deixou-me a reflectir.
Reporto-me aos últimos anos. A crise que se vive hoje em dia, é de dimensão e carácter muito distinto da que se vivia há cinco anos atrás, por exemplo, no tempo de Manuela Ferreira Leite e Durão Barroso. Essa tinha um carácter orçamental, de excesso de défice, em que os portugueses "tinham de apertar o cinto", uma crise de cariz interno. A que se sente hoje em dia, é diferente, nova e global que afecta tudo e todos. Atinge mais directamente o emprego do que o bolso das famílias (já que a inflação está em minimos históricos), e o governo não pode fazer mais que receitar medicamentos, permitam-me a metáfora, tais como redução da carga fiscal, incentivos à industria automóvel, construção civil e pequenas e médias empresas, sectores vitais na economia, e visto que somos muito dependentes dos nossos parceiros comerciais, diminuir o peso das exportações e esperar que também eles recuperem da crise, o que não será a curto prazo.

2 comentários:

Anónimo disse...

Faltou falar aqui em algo que a cada dia que passa, se está a tornar num dejá vu: a migração dos portugueses!
Ainda este domingo à hora do almoço assisti levianamente a uma conversa da minha vizinha, que arranjara trabalho na Suiça para duas primas, e onde está já a sua irmã também há uns meses...
Enfim, ainda temos isto que nos ajuda um pouco... podemos emigrar para fazer limpezas e ganhar cerca de 1000 / 1200 euros por mês (foi o que ouvi, não acredito que seja assim...)

Carlos Vinagre disse...

Luís, um artigo muito claro da tua parte, gostei bastante.

Cara Miss M, tenho ouvido diversas e interessantes estórias sobre emigrantes portugueses. De facto, A opinião predominante é que lá fora, sentem que estão a ter oportunidades.

A Suíça, saiu na revista National Geographic, é o 4 país que cresce mundialmente mais. Recebe muito dinheiro proveniente de grandes fortunas pessoais, não tem tantos ricos como a Alemanha, mas por km2, é o país com mais riqueza, distribuída é certo.

Em Inglaterra, também a impressão é positiva. Há realmente muita discriminação e agressividade nesse país, contudo, um simples funcionário, que limpe os passeios circundantes de uma superfície comercial, consegue ao final do ano juntar muito dinheiro, dinheiro que poderá ser eventualmente investido num negócio. Claro que para prosperar é preciso poupar, um conduta mais contida, no que toca a hábitos de consumo.