sábado, 17 de janeiro de 2009

As causas da decadência dos povos peninsulares

Antero que Quental apresentou o seu mais ilustre discurso na Conferências do Casino (primavera de 1871) em Lisboa. No grupo do Cenáculo, sob a influência das ideias revolucionárias de Proudhon, este grupo passa designar-se como Geração de 70. Falamos de escritores e intelectuais de grande estirpe, algo iluminados ao género tuga que acompanham os ideais vanguardistas da velha Europa.

Daqui sai então o célebre discurso onde Antero de Quental apresenta como principais causa da decadência dos povos peninsulares:
1. A transformação do catolicismo, pelo Concílio de Trento";
2. O estabelecimento do absolutismo, pela ruína das liberdades locais";
3. O desenvolvimento das conquistas longínquas".
Temos portanto uma causa moral, uma outra política, e outra ainda económica.

Em seguida, Antero disseca em profundidade a acção do catolicismo como causa da decadência nacional. Ora vejamos, cerca de 128 anos depois Portugal volta-se para a Europa, abandona as conquistas longínquas e tem estabelecida uma república com democracia . O estado é leigo.

Resta então a discussão do seguinte tema: Qual a realidade presente (estado) dos restantes motivos que levaram os povos peninsulares ao declínio, que são a corrupção e ineficiência das instituições?

5 comentários:

Rocha, André disse...

A causa da queda dos povos peninsulares chama-se mentalidade. Essa mesma mentalidade que continua a fazer de nós atrasados em relação ao resto da Europa, talvez porque a partir do século XV em diante tivemos sempre tudo de mão beijada: Ora foi o comércio com a África, ora foi o ouro do Brasil (no caso de Espanha a prata da América Latina) e, finalmente no século XX os fundos da UE.

Marta Sousa disse...

Caro Espartano antes de mais deixe-me dizer que estou bastante contente por ter oportunidade de o encontrar novamente pelo mundo da blogosfera. Porém invertemos os papéis, desta vez estou eu a comentar um texto seu.

As conferências do Casino Lisbonense são umas das matérias pelas quais tenho um particular interesse já que tenho vindo a alguns anos a esta parte a produzir alguns artigos sobre Antero de Quental e o Realismo português.

A segunda conferência desse ciclo foi sem dúvida uma das mais importantes produzidas alguma vez em Portugal. Na minha modéstia opinião 128 anos depois Portugal apesar de se ter voltado para a Europa, ter abandonado as conquistas longínquas e de ter estabelecido uma democracia com um Estado leigo continua exactamente o mesmo país.

Portugal está virado apenas teoricamente para a Europa visto que lá no fundo continuamos a ser um país provinciano no qual a cultura e o conhecimento estão bastante longe do que se produz na restante Europa. Talvez não tenhamos abandonado de todo as conquistas longínquas visto que o Saudosismo continua presente nas mentes de grande parte dos cidadãos do nosso país. Por último a laicização do Estado é um processo que ainda decorre e, apesar de tudo, temos uma população ainda muito ligada à religião católica que em muitas vezes investe o seu tempo e dinheiro na religião (e na salvação) esquecendo-se do país.

Cumprimentos cordiais.

Marta Sousa disse...

Reparei agora que o meu comentário tem um erro. Assim não é "na minha modéstia opinião" mas sim na minha modesta opinião. Peço desculpa.

Espartano disse...

Viva, o prazer é todo meu.

…”Talvez não tenhamos abandonado de todo as conquistas longínquas visto que o Saudosismo continua presente nas mentes de grande parte dos cidadãos do nosso país. Por último a laicização do Estado é um processo que ainda decorre”…

Ressalvando a verdade aí constatada, não me referia a nenhuma corrente ideológica ou filosófica ao sabor de Eduardo Lourenço, falo de corrupção que se vê, que existe, refiro-me ao mau funcionamento dos tribunais, das escolas, dos hospitais, das universidades, falo de circunstancias de facto.

Isto anda mal e não é só pela fraca mentalidade, mas porque a muito grande minoria assim o quer e tem interesse. Portugal ainda produz riqueza, intelectuais, ideias e ideais, mas continua a ser mandado por quem quer, não por quem sabe. O poder é viciado, os partidos políticos são autênticos hobbies, a religião é poder, etc. É isto que tem que acabar, o chico-espertismo sai caro, no entanto dá lucro muita gente.

Nas prisões só existem pobres. Porquê? Os políticos têm sede de poder insaciável, um mero presidente de junta com horário completo tem um ordenado de 1200 euros, (até 5000 habitantes)… Enfim


Abraço

Marta Sousa disse...

Concordo completamente consigo, podemos pensar sobre todas estas problemáticas no entanto a realidade do dia-a-dia é bem diferente mas, repare, essa realidade não é só diferente em Portugal mas por todo o mundo.

Cumprimentos (7*13*3*18)