quarta-feira, 25 de junho de 2008

NOITE DE SÃO JOÃO


São João, São João, dá-me uma vassoura para esvairar essa lixeira que entope as vielas do Porto, e um péssimo fedor a sexo e a urina. Ah!!!, como somos cívicos, como a festividade e as regras nas noites de exagero são tão moribundas!!! Temos é de saborear os encantos da nossa breve vida, dançar até romper a sola das sapatilhas, e olhar fulminantemente para os quadris que se agitam na sedução. E com uns nacos de álcool, como tudo se completa e embriaga a nossa rotineira existência!!!
São João, São João, noite de uma realidade sombria, mas que evoca o passada, e uns chuviscos frescos de madrugada leve no rio!!! Corri as ruelas, sombriamente osculei a agitação ferverosa, quente, com o Verão do vento que vivi nos seculares edifícios daquela cidade liberal. Não há nada de mais sugestivo do que enxergar o ser humano na sua maior simplicidade, de mais esbelto, banal, e pútrido. A diversidade de silhuetas era estrondosa, a cerveja um pouco mórbida, a música populucha, que delícia, que frescura, que melancolia!!!
Tenho a reter que o que mais me agradou foi os copos de cerveja que civicamente atirados, soltavam uns gotejos de um líquido amarelado sem força sobre a minha roupa, e logo corria para a casa de banho para lavar as mãos, feito hipocondríaco, e rumava novamente para um destino anónimo e festivo. É nesses momentos que tenho uma solidária atenção para os serviços de limpeza da cidade, e que a justificação da sua existência vê-se fundada. Aliás, o português zela sempre pelo próximo, solidariamente prefere os empregos aos caixotes-de-lixo. Nisso reside talvez a grandeza da sua Orgia embriagante....

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