Acredito na possibilidade de nos transgredirmos paulatinamente, de nos Hiperborear, de nos transcender para além das banalidades pouco diversas, que é a vida quotidianamento fútil. Não é que ela seja banal, mas a consciência que a filtra se esquece da unicidade do momento, dando pouco valor ao que nos rodeia, e centrando-se num asqueroso individualismo estropiante e limitador da elacção da nossa personalidade.
Seremos só esta pequena coisita que por aqui anda, rasteja, tendo por fim a mera reprodução, o sexo, os prazer fugazes na compensação pela frustração que a vida nos impõe pela nossa contribuição para a produtividade??? Não, recuso-me a aceitar, porque não quero, e penso que cada qual não quer ser aquela coisa mesquinha que se arrasta sem grande noção, dominada por estreitas noções que a tornam o cárcere de si e de si para os outros. E porque acredito que o que engrandece o ser é a sua obra, a criatividade, o inédito, a resplandescência do seu espírito, arrasto-me por esse objectivo.
Quando nos elevamos para além do que é humanamente quotidiano, conseguimos apreciar a rotina com outra ligeireza e pulcritude, que refinadamente nos permite percepcionar a diversidade da realidade. Aí, o homem ou mulher se torna realmente rico, e começa a sentir o cosmos que o envolve e refresca, e daí, tudo se inverte, nos libertamos, e o mundo surge de uma outra forma que quando nos prendemos à terra, não conseguimos sequer olhar.
Lutemos por ser um que primeiramente parece não-ser, não nos deixemos guiar pela superficialidade a esterilidade e a formalidade. Em tudo há um tanto de oceano que embate furiosamente numa deserta praia. O mundo foi criado para ser vivido, mas pensá-lo e trascendê-lo é também vivê-lo.
Para findar, fique uma coisa clara: que o que para os outros é divertido, para os outros não. Há que sermos plásticos, empenharmos-nos, ultrapassar as burguesices, e despreocupadamente tentarmos. Aí, poderemos sem dúvida dizer se realmente gostamos ou não. O resto, é mera inconsistência de espírito. Não tenhamos medo, isso sim, é que é sermos supremos!!!


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