segunda-feira, 16 de junho de 2008

"ESPÍRITO SANTO"

Sentado na poltrona, olho com agrado a subida da taxa de juro de referência. Nesse momento de volúpia, olho com orgulho para o esclarecimento dos nossos dirigentes excelsos, abismo-me no sonho de um Federalismo europeu, honro a moeda única, e como aquela antiga música popular, digo: "ECU que eu quero!!!"
Depois, começo peliculamente a meditar na comum pessoa, naquele que trabalha para ter uns quantos tostões, e como que a imaginar o seu mecanismo cognitivo associativo. Aí reparo, e vejo como uma lanterna a razão da inexistência de um referendo ao Tratado de Lisboa, aqui, no país de Lisboa. Afinal, os nossos políticos sempre olham futuramente, sempre são de uma consciência pesadamente escrupulosa, e antecipando como que tocados por um ente divino a inflação, a subida da taxa de referência de juro, o choque petrolífero, souberam responder da forma mais leal ao bem público e à "Europa dos cidadãos": ratificando pela via parlamentar o Tratado Sócrates. Ups, enganei-me, Tratado de Lisboa. Um erro inconsciente!!!
É que com a crise da cerâmica, com as deslocalizações, com a perda de poder de compra, com a inflação, com a tributação excessiva do Estado, com a falta de qualificação dos recursos humanos, seria de prever um erro incalculável para os destinos federativos europeístas: o Zé Povinho iria confundir tudo, chumbar o Tratado, por efeito dos opotunistas nacionalistas e anti-capitalistas, e culpabilizar a União Europeia que em nada é responsável pelo baixo da produtividade nacional( o português é por natureza malandro! ), o pouco crescicento do PIB, o sobreendividamento familiar( além de malandros são gastadores, impossível!!! ) , portanto, não podemos ser injustos e , por isso, as classes dirigente porque mais esclarecidas e legalmente legítimas, têm o título de ratificar o Tratado, sob pena de comprometer o sucesso do nosso modelo de desenvolvimento.
O que era necessário, era tirar mais o Estado da vida económica, reduzir a despesa, com efeito sobre a tributação, deixar os sujeitos empresariais agirem naturalmente, com o esclarecimento de uma "mão invisível" , que racionalmente iriam promover o bem público, criariam emprego, sustentariam o crecimento económico e consequentemente a subida do consumo interno estimularia o crescimento do PIB, que aliado ao estímulo das exportações, e ao "aforro pessoal" através do aumento do lucro, ultrapassaríamos esta crise tão nefasta. E para adicionar outro efeito, o mercado nunca sofreria um impacto negativo, pois naturalmente iria tender para a hamonia de interesses, o equilíbrio, nunca havendo estagnação ou recessão.
Depois de tudo dito, é naturalmente compreensível o pessimismo do povo português em relação à União Europeia, e penso que ultimamente a Autoridade que mais tem contribuído para a acentuação do descrédito, tem sido o Banco Central Europeu com o seu dogmatismo Monetarista a aliar-se ao crescente Neoliberalismo que emerge difusamente no nosso "Velho continental". É caso para perguntar como Lenine: "O que fazer"???

0 comentários: