quinta-feira, 24 de julho de 2008

NEO-IMPERIALISMO


A Globalização gerou um processo de disputa por mercados. As empresas competem pelo domínio de parcelas de consumidores, de capitais, matérias-primas, etc. Grandes sucursais estendem-se desde o E.U.A. ,sede- a exemplo- administrativa de uma multinacional, a uma grande fábrica de produção de bens na China. A mundialização empresarial é efeito deste processo massificador, integrador e estruturante.
A multietnicidade é também o marco mais relevante destas grandes Sociedades cotadas nas gigantescas bolsas mundiais: cada um pode adquirir determinado valor do Grupo Anómino. Com esta oferta de lucros possíveis, seduz-se o comum cidadão, e dá-se um rosto de democracia e de possibilidade de enriquecimento. A ambição reduz a humanidade, e na crença num futuro sorridente, ela se sujeita a péssimas condições laborais e a inumanos salários.
Com efeito, a disputa por novos mercados, por economias emergentes, está a criar pressões sobre os grandes Estados, conduzindo a políticas externas agressivas( ex: guerra no Iraque) sob a capa de uma pseudo-luta contra o terrorismo. Como se fosse possível gastar imensos recursos monetários numa luta contra um inimigo invisível, sem esperar obter grandes lucros. Isto espelha a razão económica, sob a capa da luta pela democracia. Para elucidar melhor, comparemos às grandes cruzadas: no véu do sagrado, da luta pela fé, escondiam-se pesadas razões económicas.
Inerente ao ciclo vicioso e imparável do lucro, base da sustentabilidade capitalista, à falta de estímulo do mercado interno, por razão da inexistência de vontade empresarial e política de aumento dos salários da massa trabalhadora, escolhe-se a exportação para mercados externos ou as deslocalizações, para se obter um lucro fácil, rápido, torrencial. Assim se duplicam fortunas, se colocam em países consumistas produtos a baixo custo. Por isso, é natural que surjam contradicções na luta pelo controlo de mercados. Sobretudo, pelo domínio de matérias-primas essenciais como o petróleo.
Além disso, uma guerra tem sempre potencialidades de revitalizar uma economia em decadência de crescimento económico: olhe-se para os extraordinários 30 Anos Gloriosos na Europa do pós-guerra. Será compreensível, tendo em conta uma análise bem ponderada do sector bélico, os benefícios de uma política externa agressiva.
Por tudo isto, revela-se um carácter conflituoso da Globalização, como motor impulsionador de problemas de difícil solucionamento: temos o exemplo dos últimos anos do século XIX. Aconselha-se uma leitura de um qualquer livro sobre esse período.

3 comentários:

Paulo Ramos disse...

Bem, apesar do pouco tempo que tenho aqui, o que prejudica um pouco a facilidade de elaboração do comentário, vou tentar fazer o meu melhor.
Todos estamos conscientes - ou deveriamos estar - do domínio excessivo deste império dos novos métodos que são os Estados Unidos. É fácil ver que esta é uma nação que se gere pela obcessão consumista do mundo, evoluindo assim com alienações cada vez maiores. Caimos num universo de projecções que só os maiores controlam e pensamos ser donos e senhores do nosso destino quando na verdade temos tudo menos escolha.
Não há muito a fazer individualmente... só nos resta criar um grupo para mudar esse controlo e expandir as nossas ideias.

Gostei do blog, mas tenta fazer com que as ideias sejam mais alcançáveis para mais gente através de uma linguagem acessível e textos mais curtos ou faseados e aposto que vais ter mais sucesso com ele. Nunca nos podemos esquecer que se realmente queremos mudar o mundo temos que o fazer de uma forma que o mundo se veja a ser mudado.:)
Abraço

Stefano disse...

Parabens!
Acho extraordinaria a forma como abordas a sociedade actual e alcancas a essencia da sua dinamica! Acho que o tipo de linguagem é adequado, principalmente se queremos falar sobre um tema tao actual e tao complexo! Para alem disso, tem exemplos bastante ilustrativos que permitirem ao leitor uma boa compreensao. Continua!

Anónimo disse...

:)

antes de mais, agradeço-te pelas palavras que, e ainda bem, foram interpretadas como críticas construtivas (algo que, normalmente, me falta nos comentários aos meus textos). depois de ler o teu blog, compreendo agora essa sede de questionar e querer compreender e resolver. fantástico, mesmo *