Encontramo-nos, e penso que fundamental é, num tempo que urge responder com a bravura juvenil. A desilusão é o palco onde actuam certas mentes elevadas pelo grau de moralidade que as conduz, mas que a sociedade teima em não reconhecer verdadeiramente o seu mérito. O materialismo oco, o individualismo bafiento, o utilitarismo sócio-relacional, são a axiologia dominante, mesmo que custe a admitir. Livros de auto-ajuda espraiam-se na pachorrice dos espíritos secos, sem o diamante incorpóreo que os alimente devidamente. Acho que é sinal que algo tem de mudar, e a sociedade não se podem alhear disso, não podem continuar a esconder o embaraço diante destas questões, não podem dissolver-se na cultura corporal e da fugacidade, têm de operar uma transformação, mas sim conscientemente, com o sentimento ponderado, e um quê de continência irracional, assim seja o nosso futuro, e custa demasiado em crer verdadeiramente que se concretizará!!!
Almas como a de Cesário Verde, personificam um ideal humano, humilde, com um quê de materialismo, mas uma elevação espiritual que custa a crer inicialmente. A cidade não é só o espaço de matéria, é um local de uma imaginação transbordante, mesmo que conduzida pelas vielas da agrura. A sua formação, o pouco reconhecimento a que foi sujeite, o anonimato, é sinal bem patológico do pouco valor que por cá se atribui aos génios de real valor. Só o que por vezes vive no academismo é que possui o louro existencial do valor, mas que no futuro, só será uma baça sombra do culto divinal a que foi sujeite durante a sua breve existência.
Outro nome a citar, e que hoje é objecto de um desmesurado culto, o qual às vezes me transmite um opaco conhecimento do poeta, é o de Fernando Pessoa. É de longe um nome que nos elevou à categoria de Nação realmente criativa, com altos pelouros na sonância do Modernismo.
Agora, acho correcto deixar as seguintes questões: porque é que tudo o que é bom deixa sempre durante a vida uma coisa desconhecida, e não vê o mérito reconhecido por vezes na justeza da medida do seu trabalho??? Porque nos aprisionamos no modelo do Estatuto, deixando-nos a correr no mais irracional e simplista cárcere??? Será difícil dar valor efectivo a essas pessoas, ou é a nossa estupidez tacanha que nos suspende o acto de reconhecimento real???
Penso simbolizar algo com estes dois nomes, cabe agora ao leitor interpretar melhor e pensar no que transmiti, e relacionar com o espírito que cria o contexto em que escrevinho hoje.


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