quarta-feira, 23 de julho de 2008

MARCHA FÚNEBRE


O que tem evoluído na humanidade nestes lamacentos anos??? O refinamento da ocultação, a lebre da miséria, o despedaçamento do ideal, e a Loucura, Deusa por excelência da mente humana.

O estado de degradação material é eminente, o país sobreendividado, mas os cafés a chusmar, a arrebentar pelas costuras, pessoas a berrar, pessoas a tagarelar, seios bem morenados, e os típicos sorrisos de engate: afinal não é isto viver???

Em cada espaço, reina um ar superior de parte daquelas "ratas" de esgoto que se acham bem húmidas e superiores. Pensam-se grandes, de facto, o seu HI5 tem imensa gente adicionada, muitos corpos esbeltos, muitas verdades, mas sem grande emoção sentimental nutrida: é puramente objectal!!!

Todavia, a grandeza existe, continua enlaçada nos seus cabelos replandescentes, com nacos de uma moral burguesa, falsa, mentirosa, ilusória: tudo não passa mais de um espectáculo gorducho, suado e barato. Se isso é a grandeza do ser humano, mais parece um cenário desprovido de significado elevado, gosto requintado, que de plebeu, de imbecilidade e animalidade tem mais do que de Humano, aquele que concebemos como o que nos distingue de todos os outros...

Mas a vida continua, segue sempre um rumo de estagnação, quantificam-se os ganhos materiais, diminuem-se riquezas, rodopia a energia da sociedade, e um dia a consciência toca, como um sino, com uma ferida, e um pedaço de sangue... há que costurar na vida para o além...

Em tudo isto saborio qualquer coisa, noto e acresço uma repugnância, um sentimento de descrédito, uma sensação de náusea... sempre pensei que fosse possível mais qualquer coisa, que houvesse evolução... acho que me enganei, a utilidade marginal é a medida da relação social, a axiologia não reina pela imaginação. Neste enredo de vacaria, de putaria, de punheta, só o ávido, o animalesco, o quotidiano, o inútil e que tenha pouca inteligência ganha... a plebe ganha em ideal, e perde grandeza...Será??? Tautológico, sim, deveras, porque a vida é mesmo isso....

A praia, os cafés, as conversas, tanto de teatral, tanto de verdadeiramente falso, que só fica o gosto a sexo, podre, violento, analissimamente bruto, com muita cerveja à mistura, muita falsidade, porquitude, e um santo no altar a lacrimejar, na penumbra...

Há um tempo em que tudo o que era parte integrante da nossa casa deixa de ter significado, deixa de simbolizar, deixa de idealizar, e a adulteração revira tudo ao avesso, o sol põem-se, e o alheamento começa a subverter ou a ligar??? A burrice é feita para a canalhice, os quantos que rosnam são gozados, pervertidos, apontados, depois "iremos ficar sozinhos", desagasalhados... Como se viver entre a Merda desse algum prazer... Como se viver entre os meandros da podridão não desse mais de revolta do que de contentamento... Pelo menos, dá-nos energia para galhofar, para cismar e desacreditar esses seres que reinam pelos vestidos de ouro, que espelham uma Cona bem perfumada, rapadinha, bem torneada, para ser conhecida, bem escavada, bem trabalhada, todos ganham, e sem preservativos, Reproduzimos o HIV, coitadinho, também tem direito a viver...

Conviver é sinónimo de representar, de mentira, de cordialidade, de simpatia, de abanar a cabecita, e de histerismo envolto numa capa de amizade. No fundo vibra uma vontade de carnivorar, de Trincar, ferver de Espuma, agitar o mar, o quadril, fornicar numa expressão mais masculina... Hum, que bom, "Ontem cavalguei com o período", foi imensamente bom talvez, mais aquele azedume de matéria orgânica em degradação... Hum, nada que se compare a um bom gelado diante da praia, de uma frescura de mar, e aquelas mamas que por vezes agitam o Falo, pela agilidade do seu saltitar, a marquita a contornar estridentemente e o poder de sedução dessas bóias de sangue sexual.

Enfim, vejo mais simpatia em pequenos animais do que na miséria que compõe o estrume da personalidade de certos mestres na Arte de sedução. Apetece até dizer que a masturbação é bem acolhida em imaginar esses seres num passeio, a sua voz, o seu galope, o seu rabo com celulite, rabos que defecam, e pensar num acto sexual, depois de uma dessas sabedoras ter saído da retrete. Somos divinos, somos uma praça de musicalidade, sempre cheia de festarolas, de orgias, de cânticos e muitos imberbes anjinhos. Só cumprimos os desígnios animalescos, pois é disso que somos feitos, e a nossa alma é uma extensão de matéria orgânica expelida numa noite luarenta de penetração e beita a escorrer com um antro de microorganismo, com restos de urina nos lábios, e traseiramente, o nosso grande adjectivo...

Pensar, agir, tecer um véu, crer, coisas desprovidas de sentido no nosso século constitucional, onde os anjos universitários abocanham para pautar uma nota razoável. É essa a nossa linha de felicidade, de lux, de tagarelice, de desejo, afinal, somos destinados à suprema felicidade. Para quê sofrer??? "Que Horror!!!" dirá a besta pensante.

A formação dá-se de uma maneira: odiar como o trabalho o sofrimento. Por isso, tanta comoção varre os " sensíveis" corações, tanto brilho nas lágrimas, tanto odor a gana de justiça, contudo, breve, leve, teatral: o prazo de validade é escasso, uns quantos pedaços de "segundos".

Os opostos, os iguais, os ridículos, eles e elas, vermes, insanos, cruéis, indolentes, desprezadores da suprema ideacção humana, corriqueiros no péssimo significado, sentimentais, que depois apontam o dedo a tudo o que é superior à putrefacção humana, de sangue escamado, sem direçcão, sem alto norte, e só umas quantas quecas para viver, muita roupa, praia, e comer regaladamente. De facto, o homem foi feito para a mulher, e essa para ele.

Há muita boa nata na humanidade, mas ela vive nas entranhas dessa falsificação e adulteração, desolada, desválida da sua grandeza. Devemos lutar agressivamente contra a podridão, e dar a justa moeda de troca ao que é elevado e angelical!!! Assim se faça Luz!!!

1 comentários:

David Rola disse...

Nota-se uma extensa alegoria acompanhada por radicais metáforas por parte do Carlos,que é uma imagem de marca dele, que passa uma mensagem muito forte na qual sinto alguma empatia visto que a sociedade não precisa de futilidade, Britneys,Parises nem morangos, mas sim de senso,racionalidade e discussão...fica aqui uma palavra de apreço e apoio ao Carlos, ao seu blogue e à sua inspiração, demonstrando uma elevada frontalidade em assuntos delicados, em que neste aqui particularmente, entendo a sua frustação...