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quarta-feira, 24 de março de 2010

Reformas ou Reconversões?

 É lógico que o governo tem de tomar medidas para reduzir o endividamento do Estado português. Penso que neste ponto toda a gente concorda. Onde haverá discordâncias será no método a seguir.

Na minha sincera opinião as finanças públicas necessitam de uma redução da despesa, através do rigor: a palavra é mesmo essa- rigor orçamental. Não basta procurar receitas extraordinárias. O que é preciso é evitar o despesismo nas obras públicas, as famosas derrapagens que beneficiam imensos privados, principalmente as suas contas bancárias.

Mas não basta reduzir a dívida, o défice. O momento actual é propício a reformas. Em vez de se reconverter o sistema, que é o que de facto tem sido feito, deve-se pensar num reforma, na alteração do modo de operar das estruturas do mundo- e isso tem de ser feito não só a nível nacional.

Quando um país tem um justiça perfeita mas pouco funcional, quando não há visão estratégica futura e se teme um pacto que forneça estabilidade a uma reorganização dos esquemas de funcionamento do país, quando o interesse partidário sobrepõem-se ao interesse público e passa este último a ser uma variável dependente do interesse partidário, é difícil se operar uma verdadeira transformação das coisas.

Há dez anos que Portugal aperta os cintos, é francamente injusto, ao menos que saibamos que valha a pena apertar os cintos, que seja punido quem conduziu o BPN e o BPP à situação que assistimos, que se puna as empresas que não são exemplo para ninguém e se deixe de atacar só quem tem rendimentos mínimos- e os rendimentos máximos alguém fala deles?

Se o Estado pretende receita, que taxe a compra e venda de acções, há lucros feitos em grande volume que não têm qualquer fundamento moral que não seja o mero egoísmo individual. Se não se introduz tal reforma e se o povo nem reclama por ela, como poderemos estar a reformar verdadeiramente um país? Iremos nos sacrificar mais uns anos para anos mais tarde vivermos  uma crise de proporções semelhantes ?

Carlos Vinagre