Foram tempos de febre, confesso. Sentia-me angustiado por não ter escritos num espaço onde qualquer pessoa tivesse a oportunidade de aceder. Sentia-me com energia para dar mais do que humanamente possível para o Social, para contribuir para o esclarecimento dos outros, para a interacção, para a discussão. Sabia que provavelmente me iria desapontar, coisa que é vulgar pensarmos antes de agirmos, e de facto cheguei a recuar, mas em suma cresci e isso é que é importante.
Depois de um messianismo pedagógico, de um disperso didactismo, de uma estruturação demasiado exigente para um espaço como este, de desleixismo, de descontracção, deixei-me abater para outros rumos, ergui outros subsídios, outros complementos e deixei o Aurora numa espessa sombra de inércia. Admito que no início, pretendia iniciar semanas de debate, pegando em temas cruciais da nossa vida social, analisando historicamente, elucidando estrategicamente, contribuir para uma fundamentada solução e opinião sobre várias matérias. Com a publicidade, com a divulgação, com o esforço, pouco recebi dos cibernautas, poucos comentários, poucas visitas para a dedicação e a causa que era, a de despoletar discussão, dinamismo, opiniões. Fui lentamente abandonando, simplificando o meu estilo, a minha intervenção, liguei-me ao KronosPoesis, liguei-me a outras questões. Claro que nunca abandonei este tema, só refreei um pouco, esperando pela Season da politiquice e actualidade com o romper do Outono. E aí estou eu, pronto para reorganizar tudo, e com mais maturidade, deixar florescer neste seio a outra veia que corre na minha alma.
A crise que estala no dealbar da Season da Politiquice, o fracasso do Capitalismo Ultra-Liberal, a queda dos mercados bolsistas, a falta de liquidez, entre outras percepções que estamos a ter, levaram-me a reanimar, reorganizar, e erguer um rumo mais próprio com o que pretendo erigir. Menos rasteirice, ou seja, abordar os factos plebeus da politiquice sem génio, e olhar do alto da montanha para esses acontecimentos, enquandrando-os numa lógica futurista, de vanguarda, isso é que pretendo efectuar. Se os outros não perceberem o que eu digo, paciência, isto não pode compactuar com o facilitismo da nossa época, com o populismo. O facto de escrever é bom, de pensar, de explicar, de tentar explicitar matérias complexas de uma forma emotiva e simplificada. Também os leitores, quando tiverem dúvidas, deverão perguntar, pesquisar, porque se não o fizerem, viveram na ignorância, não eu que leio e penso e demando. Penso que este imperativo meu é equitativo, descer demais pode dar a volta à barriga, deixar-me às reviravoltas e gosto tanto de estar no frio do gelo montanhoso e de pés no chão, que não pretendo deixar essa estalagem para me albergar na mediocridade do rebanhismo que bordeja neste nosso tempo de nevoeiro...
Para concluir, gostaria de falar do nome Aurora. Escolhi-o não por estar ligado a uma publicação da Esquerda francesa, mas porque simboliza um tempo de classicismo, de helenismo, de surgimento de um ideal elevado da Pólis, como uma comunidade de cidadãos, onde o pensamento político era uma virtude, onde a discussão na Ágora era um facto socialmente relevante, onde o Económico era um saber subalterno ao Político, por isso escolhi esse nome. Sendo uma divindade, relembrava o renascer das cinzas como a Fénix para uma nova luminosidade, um produto de jovens, dotados de amarela ingenuidade, de esperança, de um baço calor, simbolizava o que a sociedade necessita: deixar alguns quantos conceitos num museu e vergar-se para o futuro. Além disso, Aurora é feminino, tem algo de doce, de estético, de belíssimo. É um elemento divino e isso basta-nos, como uma tocha que nos ilumina do cansaço efémero para o eterno descanso.
Espero que este novo enquadramento do espaço vos agrade. Por minha parte, não apagarei o que anteriormente coloquei, por fidelidade intelectual a um passado que é importante para nos compreendermos como sujeitos dinâmicos que somos.


0 comentários:
Enviar um comentário